19/07/2026

Maki é um garoto sudanês que, ainda na África, consegue fugir de um traficante de escravos, e acaba se afeiçoando a um filhote de girafa e promete o proteger. Quando o animal é capturado, ele decide se unir ao egípcio que o pegou, e juntos vão para a França pedir para o Rei ajudar a libertar a Alexandria, tomada pelos turcos.

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Poética e relevante, a animação francesa Zarafa é uma alternativa aos excessos e à falta de diversidade, ao menos temática, dos filmes infantis vindos dos Estados Unidos. Dirigido por Rémi Bezançon (Um evento feliz) e Jean-Christophe Lie (animador de filmes como Kiriku – Os animais selvagens e As bicicletas de Belleville), o longa busca inspiração na história da primeira girafa levada da África para a França.
 
Uma das primeiras coisas a chamar a atenção em Zarafa não é apenas sua paleta de cores fortes, mas a facilidade com que a trama – assinada por Bezançon e Alexander Abela – é capaz de se comunicar com as crianças. Usando uma linguagem simples, mas nunca infantilizada, o filme evita aquele velho clichê do cinema infantil de animação de Hollywood: seja você mesmo e tudo vai dar certo. Aqui, há tintas políticas sutis, assim como uma crítica ao colonialismo francês num paralelo entre a ida da girafa para a França e o saque promovido pelo país em suas colônias na África.
 
O protagonista é o pequeno sudanês Maki, no século XIX, capturado para ser vendido como escravo. O garotinho consegue fugir e faz amizade com uma girafa, que é morta por um mercador, deixando seu filhote, ao qual o garoto se apega. Quando o animal é capturado por Hassan, um egípcio a caminho da Alexandria, o garoto decide ir junto. Mas ao chegar à cidade, descobrem que ela caiu sob domínio dos turcos. Hassan é enviado pelo paxá local para pedir ajuda ao rei da França, Carlos X, e, para isso, levará a pequena girafa como um presente.
 
A viagem é uma grande aventura, já que é realizada num balão, levando Hassan, Maki, o francês Malaterre – condutor do balão -, a girafa e duas vacas que fornecem leite. Na França, no entanto, os viajantes não encontram bem o que esperavam. Várias pessoas são corruptas, exploradoras e mal-educadas – a começar pelo rei e sua corte. O monarca, ao ver o garoto Maki, diz, para diversão dos que o cercam, que o menino “se parece com um macaco que fugiu da jaula”. O mesmo rei esnobe receberá o troco mais tarde, com a chegada de um novo animal ao zoo.  Tal qual a girafa (“zarafa”, em árabe),  pessoas e riquezas foram tiradas da África e levadas para a Europa – não apenas a França. Nesse sentido, o longa faz um retrato metafórico e bastante honesto sobre essa questão.
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