09/07/2026
Suspense Drama

O capital

Marc acaba ser escolhido como presidente de um grande banco francês. Porém, para continuar no jogo terá de aprender as suas regras, que envolvem traições e golpes. A direção é do cineasta francês Costa-Gravas, conhecido por seus filmes políticos.

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O título do novo filme do cineasta grego Costa-Gravas parece uma provocação. O capital, é claro, refere-se a uma soma de dinheiro, mas também remete à obra-máxima de Karl Marx. Uma ambiguidade que se afina perfeitamente com a essência deste longa, uma crítica ao capitalismo carregada de cinismo. Conhecido por seu cinema político – cujos expoentes são Z (1970), Estado de Sítio (1972), Desaparecido (1982) –, o veterano cineasta investiga implicações morais e financeiras da crise econômica de 2008.
 
Baseado num romance homônimo do francês Stéphane Osmont, um expert do mercado financeiro, O Capital – ao lado de filmes como Margin Call – O dia depois de amanhã e A negociação – busca a intersecção entre o plano pessoal de seus personagens e o momento histórico-econômico em que vivem, ou seja, nosso mundo do capitalismo tardio. O que guia a narrativa é a ascensão de Marc Tourneil (Gad Elmaleh) e o jogos de poder que ele enfrenta para se manter na presidência do banco Phenix.
 
Se, num primeiro momento, a colocação de Marc no topo da hierarquia é apenas uma medida temporária, ele não mostra que pretende se manter ali por muito tempo. “O capital” é o jogo de poder a que o protagonista se submete, fazendo pactos, conchavos, negociações e puxando tapetes. Sua mulher, Diane (Natacha Régnier), que vem de uma família rica, não entende direito os mecanismos – para ela, dinheiro nunca foi um problema. E, para ela, Marc diz: “Para você, riqueza é o passado. Para mim, é o futuro”.
 
Mirando nesse futuro, em momentos de crise, Marc deixa sua moral de lado e age inescrupulosamente – uma mímese da dinâmica do dinheiro, indo de mão em mão, sem qualquer pudor. É num americano que o protagonista encontra seu maior aliado. Dittmar Rigule (Gabriel Byrne) é o que se espera de um investidor americano: pragmático e capaz de pensar friamente.
 
Marc é um Robin Hood às avessas. Numa reunião, diz aos acionistas que sua função é roubar os pobres para dar aos ricos – declaração que é recebida com aplausos e assobios. A ascensão financeira do personagem é seguida por um declínio moral – mas, no fundo, ele parece não ter toda a malícia exigida pelo jogo capitalista. Chega a ser vítima de uma bela modelo (Lida Kebede), que o seduz, consegue dinheiro emprestado, mas não cumpre suas promessas. Ela é, em última instância, apenas a ponta do iceberg da corrupção moral do personagem.
 
Foi o dramaturgo alemão Bertolt Brecht quem disse “O que é roubar um banco comparado a fundar um?”. E é sintomático que em nosso tempo um filme como “O capital” seja capaz de materializar exatamente essa pergunta cínica. Marc joga nos dois times – dos que roubam e dos que são roubados. A sagacidade da história está exatamente em retratar essa figura complexa e sua jornada e transformá-lo em uma figura típica de nossa era, fruto de um estágio do capitalismo que permite sua existência.
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