09/07/2026
Drama

Corpo presente [2012]

Um dia na vida de pessoas da paisagem urbana de São Paulo: seus desejos, esperanças e até a passividade. Vidas que não mudam, vidas que clamam por mudanças.

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O título desse longa nacional, Corpo presente, parece remeter a uma "missa de corpo presente", e não seria exagero pensar no longa de Marcelo Toledo e Paolo Gregori como algo do tipo. Os personagens estão praticamente mortos - suas almas já foram, restam-lhe apenas o corpo que aguarda sua decomposição.
 
É sintomático que um dos personagens seja um agente funerário, Alberto (Marat Descartes), que entre um trabalho e outro foge de agiotas ou curte a noite e drogas sintéticas. Entre as outras figuras que transitam nesse universo de corpos esvaziados está Cynthia (Simone Iliescu), manicure que trabalha como dançarina e garota de programa num inferninho na Augusta, em São Paulo, mas sonha mesmo em estudar dança no Japão.
 
Estabelecem-se, então, esses dois polos: Alberto, cuja vida parece estar entregue, sem projetos ou esperanças para o futuro, e Cynthia, que tenta dar um rumo à sua vida e sonha com um futuro melhor. O filme acompanha um dia na vida dessas pessoas, figuras tão paulistanas quanto universais.
 
O roteiro, assinado pelos diretores em colaboração com Daniel Chaia e Rossana Foglia, permite que cada personagem se construa aos poucos, mergulhando em elementos que os situem dentro de seus contextos de espaço e tempo. Talvez Corpo presente não seja um filme para muitos. Mas os diretores mostram que sabem o que querem e isso se imprime na tela ao fazer um retrato do esvaziamento da existência na selva urbana.
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