O drama brasileiro Ensaio tem um quê de Cisne Negro, mas sem a pirotecnia ou psicologismos do filme americano. Dirigido por Tânia Lamarca (Tainá - Uma aventura na Amazônia), o longa acompanha a produção de um espetáculo de balé, e tem como centro o triângulo amoroso formado pela bailarina (Lavinia Bizzotto) um dançarino argentino (Bruno Cezario) e o diretor (Chico Caprario).
O espetáculo narra a história de Anita e Giuseppe Garibaldi, e seria um marco na vida de todos envolvidos. Mas quando a bailarina Eva se descobre grávida, percebe que poderá perder a chance, não apenas porque suas condições físicas não permitirão dançar, mas também porque vai acabar com seu namoro com o diretor, Caio. Afinal, ela não sabe se o pai do bebê é ele ou o outro bailarino, Daniel.
Mais do que a montagem do espetáculo ou as danças, a questão central do filme é Eva em busca de um meio de abortar. Para isso, conta com a ajuda de Baldina (Renato Turnes), o maquiador do grupo. Esse é um daqueles filmes que opta por algo comum quando há um personagem representando outro: o esmaecimento dos contornos, e a fusão de ambos. Eva tem um quê de Anita, assim como Daniel, de Garibaldi.
Enquanto dramaturgia e cinema, Ensaio é frouxo e previsível. O que há para se ver são as coreografias, assinadas por Renato Vieira e Cezario, que sempre são filmadas da forma mais clássica possível – mostrando-as de frente, como se a câmera fosse um espectador na plateia. Por isso, no fundo, esse é um filme para aqueles que estejam mais interessados em apreciar balé do que cinema. Mas, nesse caso, talvez fosse mais proveitoso ver um espetáculo de dança.
