03/07/2026

Em três segmentos, três diretores experimentam o 3D. O inglês Peter Greenaway especula sobre os dois mil anos da cidade portuguesa de Guimarães. O franco-suíço Jean-Luc Godard faz um ensaio sobre a fragmentação da história e do cinema. E o português Edgar Pêra debruça-se sobre a história do espectador do cinema ao longo do tempo.

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O projeto de 3 X 3D surgiu de encomenda da cidade portuguesa de Guimarães, que em 2012 foi a Capital Europeia da Cultura. A proposta era refletir sobre a produção cinematográfica em 3D, que parece ter vindo para ficar. Foram convidados o inglês Peter Greenaway, o português Edgar Pêra e o franco-suíço Jean-Luc Godard. Como é comum acontecer nessas produções coletivas, o resultado é irregular.  
 
O filme começa com o curta de Greenway, que segue o mesmo padrão do russo Arca Russa, de Alexander Sokúrov, filmando num único plano, sem cortes, para resumir a história de um lugar. Aqui, o inglês tenta sintetizar a essência dos mais de dois milênios de Guimarães. Segue um percurso traçado entre a praça da Oliveira, a igreja da Senhora da Oliveira e os claustros do Museu Alberto Sampaio. A história da cidade é relembrada por meio de figuras decisivas e tradições culturais.
 
Em 16 minutos, Greenaway tenta, em vão, dar conta da complexidade do processo histórico e de momentos-chave. Seu estilo sempre excessivo transforma a tela numa poluição visual repleta de cores, letras (nas mais diversas fontes), pessoas e informações, que saltam para fora da tela, enquanto narrações simultâneas saturam ainda mais o curta, intitulado Just in time.
 
Godard – provavelmente o maior chamariz de público para o filme – faz em The three disasters uma montagem de material de arquivo, criando um ensaio sobre a fragmentação da história e a intersecção desta com a história do cinema. Por meio de filmes, repensa a trajetória da humanidade.
 
Nesse metacinema, o 3D é um suplemento, nunca a razão de ser, na dialética da forma e conteúdo, essência e aparência, realidade e representação. “O digital será uma ditadura”, esbraveja o filme, que também cita cineastas “de um olho só”, como Fritz Lang, John Ford, Nicholas Ray. É necessário se deixar levar pelo fluxo da montagem , das imagens e sons, sem a preocupação, ao menos, num primeiro momento, de decodificar seus sentidos.
 
Pêra, cujo Cinesapiens é o último episódio, faz um ensaio sobre a história do espectador de cinema ao longo das décadas. Baseado no projeto de doutorado do diretor, o filme alinha situações que transitam entre o cômico e o fantasioso. Há, ao menos, a tentativa de explorar as possibilidades de uso do efeito de terceira dimensão. Ainda assim, o resultado é insatisfatório.
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