Leos Carax já foi chamado de "o herdeiro de Godard", o que parece ser exagero já que Godard não deve legar esse título a ninguém – ele é peculiar demais para tanto. De qualquer forma, em seus 30 anos de carreira e 5 longas, Carax construiu uma obra sólida – goste-se ou não. Neste seu segundo filme, inédito até hoje em circuito brasileiro, Sangue Ruim, traz novamente Denis Lavant no papel principal, desta vez, cercado de Juliette Binoche, Julie Delpy e Michel Piccoli.
Lavant é um golpista que vive em Paris e é contatado por Marc (Piccoli) e Hans (Hans Meyer) para um roubo que poderá render milhões, envolvendo um vírus de uma grande empresa farmacêutica. O vírus é o antidoto para uma doença que está matando pessoas que "fazem amor sem amor".
Como em boa parte, senão toda a obra de Carax, trama é o que menos importa. Seu interesse é a construção de imagens poderosas que nem sempre são associadas a algum significado – uma vez que o fiapo de enredo que une a narrativa não caminha. Nesse sentido, a fotografia de Jean-Yves Escoffier é bonita e forte – e sua beleza só aumenta quando Binoche ou Delpy estão em cena.
