O primeiro filme de Leos Carax é de 1984. Nele, já estão vários elementos (vícios para uns, virtudes para outros), que apaixonavam o cineasta, na época com 24 anos, como o amor obsessivo e a incomunicabilidade. Ao longo dessas três décadas, Denis Lavant se tornou o ator-fetiche de Carax, presente em todos seus filmes – inclusive no mais recente, Holy Motors.
Alex (Lavant) é o alter-ego do cineasta, que acaba de terminar com a namorada, Florence (Anna Baldaccini). Ele deverá se apresentar no exército no dia seguinte, e fica ainda mais deprimido ao descobrir que a moça tem um novo amor. Assim, o rapaz vaga pelas ruas e faz algumas peripécias para tentar reconquistar sua amada – como roubar discos de vinil e deixá-los na porta do apartamento dela com uma carta.
No universo de Carax, todo amor parece ser doentio e obsessivo. A fotografia em preto e branco ressalta tanto um lirismo e uma atemporalidade quanto a opressão dos personagens incapazes de se livrar do amor que os destrói.
