Em Feito Gente Grande, é por meio da amizade que duas meninas tentam desvendar o mundo dos adultos. Rachel (Juliette Gombert) tem 8 anos, e vive cercada por uma mãe de bom coração, mas neurótica, Colette (Agnès Jaoui), e um pai sem muita iniciativa, Michel (Agnès Jaoui). A menina não tem muitos amigos e algumas dúvidas existenciais, o que faz com que sua mãe a leve para sessões de análise com uma especialista, dra Trebla (Isabella Rossellini), ou Blá Blá Blá, como a chamam seus pacientes-mirins.
A chegada de Valerie (Anna Lemarchand), menina de sua mesma idade que conhece na escola, introduz algumas mudanças. Entre elas, a presença da mãe da menina, Catherine (Isabelle Carré), mulher cujo espírito livre vai influenciar toda a família de Rachel. A diretora Carine Tardieu investiga a vida desses personagens num tom de crônica, destacando os momentos mais absurdos desse encontro, e como a troca de experiências – nem sempre consciente – muda a vida dessas famílias.
O ponto de vista aqui parte das duas meninas e, como é comum com esse artificio, evidencia a limitação da compreensão do mundo dos adultos – afinal, surgem situações que estão além da experiência das meninas e de seu olhar ingênuo e inusitado. Se em alguns momentos, o filme ameaça cair num sentimentalismo, o talento das meninas é capaz de salvar do vale de lágrimas em que Feito gente grande poderia se transformar.
