09/07/2026
Suspense Drama

Belém - Zona de conflito

Razi, um oficial do serviço secreto israelense, cria um vínculo paternal em relação a Sanfur, seu informante palestino. Sanfur é o irmão mais novo de um militante palestino. Agora aos 17, Sanfur tenta equilibrar-se entre as demandas de Razi e a lealdade ao seu irmão, vivendo uma vida dupla e mentindo para os dois. Quando o serviço secreto israelense descobre o quanto Sanfur está envolvido nas atividades de seu irmão, Razi se depara com um grande dilema.

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Poucas produções são tão sensíveis e densas ao lidar com os conflitos israelenses-palestinos quanto o début cinematográfico de Yuval Adler, Belém: Zona de Conflito, que estreia em São Paulo e Brasília. Sem tomar partido, pelo menos não ostensivamente, o novo diretor israelense foca o drama nas complexas relações entre aqueles que se veem envolvidos nas ações de terrorismo e contraterrorismo.

Inspirada em testemunhos colhidos pelo jornalista Ali Waked (co-roteirista com Adler), que cobriu os choques na Cisjordânia por quase uma década, a história se concentra no adolescente Sanfur (Shadi Mar'i), nome que significa o equivalente árabe para Smurf. Por ser irmão do líder local das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, Ibrahim (Slmnham), responsável grandes ataques terroristas, Sanfur é recrutado aos 15 anos para ser informante de Razi (Tsahi Halevi), um oficial do serviço secreto israelense.

Embora o foco seja a relação paternal entre Sanfur e Razi, Adler dispõe na tela de outros personagens que dão ao espectador uma rara oportunidade de visualizar as disputas territoriais durante a Segunda Intifada. Como o segundo homem de Ibrahim, Badawi ‏(Hitham Omari‏), e a liderança sênior da Autoridade Palestina, que negocia com o Hamas.

Quando ocorre um atentado em Jerusalém a mando de Ibrahim, Razi descobre por seus companheiros que Sanfur é na verdade um agente duplo. Ao mesmo tempo que dá informações sobre as milícias, oferece ajuda ao irmão – que até então jurava nunca ver. O agente se encontra, tal como seu informante, em uma delicada situação envolvendo traição e proteção.

A cadeia de eventos que se desenrolam no filme, em cujo epicentro estão presos Razi e Sanfur, move a tensão bem amarrada por Adler. Os personagens não têm pontos de escape, pois além do envolvimento nas organizações, seja de segurança, seja de reivindicação, há também as relações comunitárias e familiares que os mantêm girando no mesmo lugar.
 

Com um resultado tão contundente, não é de se estranhar que Belém: Zona de Conflito tenha sido indicado a 12 Prêmios Ophir deste ano, o equivalente ao Oscar em Israel, sendo laureado com sete, entre eles, Melhor Filme, Roteiro e Diretor. Também venceu o Prêmio Fedora, durante o Festival de Veneza 2013, além de ter sido a indicação de Israel para o Oscar, injustamente preterido pela Academia americana.
 

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