Protagonizada por Cameron Diaz, “Mulheres ao Ataque” é mais uma comédia romântica igual – ou um pouco mais sem graça – a todas as outras dos últimos tempos. Mulheres histéricas, cujas vidas foram transformadas para pior por um homem, e elas querem se vingar. Será que todas as mulheres se identificam com esse estereótipo limítrofe no qual Hollywood tanto insiste?
Carly (Cameron Diaz) é uma advogada bem-sucedida que nunca pensou sem se casar – só quer curtir, namorar diversos homens, até que se apaixona por Mark King (Nikolaj Coster-Waldau, da série “Game of Thrones”). Eles vivem um romance até ela descobrir que ele é casado com Kate (Leslie Mann), dona-de-casa de classe média alta, suburbana, sem qualquer tipo de ocupação a não ser tomar conta do marido – e aparentemente, não faz isso direito, pois ele é infiel.
As duas se conhecem e armam um plano de vingança contra ele – que envolve adicionar hormônio feminino ou laxante à sua bebida, ou creme depilatório ao xampu. Mais tarde, descobrem que ele ainda tem uma segunda amante, Amber (a ex-modelo Kate Upton, a única que parece confortável aqui), uma moça bonita, mas sem qualquer traço de esperteza – ou, como parece dizer o filme, a típica loira burra.
Seria feminista um filme em que os homens são meros detalhes, apenas coadjuvantes para um final feliz? Talvez fosse, mas não é, a partir do momento em que “Mulheres ao ataque” insiste em todos as ideias da sociedade patriarcal: mulher até pode trabalhar fora de casa, mas só é feliz se for casada, enfim, se tiver um homem para chamar de seu. Enfim, mesmo fora de cena, os homens no fundo prevalecem aqui.
Dirigido por Nick Cassavetes – filho do grande cineasta John Cassavetes e da grande atriz Gena Rowlands –, “Mulheres ao ataque” poderia ter saído de um programa de computador, com atrizes fazendo o que sempre fizeram, homens sem precisar do mínimo esforço para as conquistar, e o cenário idílico de Nova York. As imagens iniciais, uma visão aérea de cidade, já dizem a que o filme veio: repetir clichês à exaustão. Nem o despudor de Cameron Diaz para a comédia física tem alguma serventia aqui.
Ao final, o longa é uma versão pálida, menos engraçada e perspicaz de “O clube das desquitadas”, no qual ex-mulheres (interpretadas por Bette Midler, Diane Keaton e Goldie Hawn) faziam da vida dos ex-maridos um inferno. Mas isso eram os anos de 1990, quando o cinema se permitia fazer uma comédia esperta protagonizada por atrizes que já passaram dos 50 anos.
