09/07/2026
Drama Comédia

O Enigma Chinês

Com quase 40 anos, Xavier ainda parece não ter se encontrado. Com a ex-mulher embarcando para Nova York, o homem se muda para os Estados Unidos para ficar mais perto dos filhos. E na crise pessoal encontra nova inspiração para seus livros.

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Desde que iniciou esta trilogia em 2002, com Albergue Espanhol, o escritor e diretor Cédric Klapisch manteve uma narrativa colorida, globalizada, bem construída e muito apoiada no carisma de seu elenco, que o acompanhou em Bonecas Russas (2005) e, agora, em O Enigma Chinês.
 
Uma cinessérie humorada e romântica, que girou em torno dos mesmos personagens, dos vinte e poucos aos quarenta anos, e a complexa entrada na vida realmente adulta. Da indulgência com que tratou a juventude na Espanha, Klapisch passou para temas mais maduros, sem deixar que o drama superasse a comédia.

A turma é liderada por Xavier (Romain Duris), seu constante protagonista. Depois de deixar a economia e se dedicar à literatura, hoje ele é um escritor com certa projeção na França. Recém-separado de Wendy (Kelly Reilly), com quem teve dois filhos, passa por um bloqueio criativo na hora de entregar seu novo livro ao editor (Dominique Besnehard)  

Quando sua ex-mulher anuncia que vai morar em Nova York com as crianças, onde já tem um noivo, Xavier decide que vai mudar-se para lá também, ajudado pela amiga Isabelle (Cécile De France). Com pouco dinheiro, acaba indo morar em Chinatown e trabalha ilegalmente como mensageiro.

As brigas com Wendy, seu casamento de fachada com uma chinesa para conseguir o green card, a turbulenta vida em Nova York e a visita de sua paixão da juventude, Martine (Audrey Tautou), trazem de volta o escritor Xavier. Nas constantes conversas com o editor, passa a fazer de sua vida (que considera um fracasso), sua obra.

Há uma certa liberdade poética ingênua nas desventuras de Xavier, motivada pelo humor com que Klapisch leva sua história. Mas o objetivo é realmente divertir, como nas conversas do protagonista com os filósofos alemães Hegel e Schopenhauer.

Na união do quarteto líder (Xavier, Wendy, Isabelle e Martine) em um jantar, o diretor fecha o ciclo desses personagens, com a visão positiva que lhe foi própria durante toda a trilogia. Se o livro de Xavier é sobre como a vida é complicada, os filmes de Klapisch mostram que se trata apenas de projetar possibilidades, sem se amargurar com fracassos pontuais, tudo isso embalado por uma excelente trilha sonora.   
    
 
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