Como colaboradora do roteiro assinado por Paul Harris Boardman e Scott Derrickson (ambos de O Exorcismo de Emily Rose), há muito das hipóteses levantadas por Leveritt no filme. Como as suspeitas que recaem sobre um dos padrastos das vítimas, Terry Hobbs (Alessandro Nivola), no pai adotivo de outra, John Mark Byers (Kevin Durand) ou mesmo sobre um rapaz atordoado e repleto de sangue, que passa por um restaurante perto do local do crime pouco depois do ocorrido.
Certamente, um dos pontos altos deste trabalho recai sobre o elenco, que compartilha a preocupação com a tragédia. A sutileza com que mostram a impotência ou beligerância frente às circunstâncias estão bem alinhadas ao que Egoyan preza em seu cinema. Um exemplo é a expressão de perplexidade e inadequação do detetive Bryn Ridge (Robert Baker), ao ser confrontado sobre porque não investigou pistas contundentes que levariam o julgamento a outro desfecho.
Os três condenados, fato público e desconcertante, foram libertados em 2011, por um mecanismo legal que não os eximiu de culpa, mas considerou tempo de prisão cumprido. Uma espécie de inocência, ainda que culpada. Jason Baldwin e Jessie Misskelley, aliás, são produtores do filme.
