Conor (Edward MacLiam) sofreu um derrame, e depois de uma temporada no hospital, está de volta à casa da família, onde a esposa, Vanetia (Maxine Peake), e os filhos o aguardam. Ele volta não apenas com problemas mentais, mas traz um psicólogo americano, Ted (Will Forte, de Nebraska), sujeito que irá filmar o dia-a-dia do paciente, para sua pesquisa. Apesar da casa pequena e dos problemas, a família também terá de o acomodar, e lidar com sua presença constante.
A comédia agridoce da estreante Steph Green, cujo roteiro foi coescrito por Ailbhe Keogan, acompanha as teias de relações que se formam entre esses personagens. A presença de Ted causa, primeiramente, um estranhamento, até o momento em que é absorvido na dinâmica familiar truncada por conta de Conor, e seus problemas.
Vanetia encontra no americano a amizade que não tem mais do marido, alienado de sua realidade. Quando ele se torna uma forma de compensação à ausência do pai/marido presente, surgem implicações morais e emocionais que podem abalar o centro da família.
Green está mais interessada na trajetória de personagens, colocando a narrativa em função desta. Ajuda muito o fato de ter atores excepcionais. Forte faz um tipo passivo – bem parecido com o que faria em Nebraska – sem muita iniciativa que é arrancado de seu mundo e obrigado a tomar decisões. Mas, não há como negar, o filme é de Maxine, dona de um sorriso contagiante, e uma personagem repleta de nuances, a atriz inglesa se transforma no centro gravitacional do filme. Enfim, um talento que merece ser descoberto.
