09/07/2026
Drama

Karen chora no ônibus

Karen é casada há 10 anos com Mario e já não vê sentido em continuar com ele. Sai de casa, rumo a uma pensão, pensando em arranjar emprego e reinventar sua vida. Dificuldades atrapalham seus planos.

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Originário de um país de pouca tradição cinematográfica, o drama colombiano do estreante diretor e roteirista Gabriel Rojas Vera investe toda a sua energia no processo de emancipação de uma jovem mulher, Karen (Angela Carrizosa).
 
Enveredando pela alternativa tradicional do casamento, Karen está há 10 anos com Mario (Edgar Alexen), mas decidiu deixá-lo. Nenhuma grande tragédia por trás, apenas o sentimento de que a vida deve ser mais do que isso.
Uma realidade social precária, nas ruas de Bogotá, a cercam – ela vê sem-teto, mendigos, todos dividindo uma luta pela sobrevivência que ela agora também precisa encarar. Sem muita experiência e não mais jovem o bastante para atender às demandas dos classificados, ela sonha com um emprego numa livraria. Adora ler, adora teatro. A Casa de Bonecas, de Ibsen, é um de seus textos de cabeceira.
 
A referência a um livro que remete à libertação feminina é básica mas se perde num filme que, apesar da delicadeza e do esforço, não voa muito longe do chão. Em vários momentos, sente-se que falta dramaturgia para permitir aprofundar a dinâmica vivida pela protagonista.
 
O enredo se ressente de não ir mais fundo nas relações de Karen, com a mãe (Maria Leon), a amiga da pensão, a cabeleireira Patricia (Maria Angelica Sanchez), e homens que passam pela vida das duas, perdendo uma boa chance de refletir sobre as contradições e expectativas dos papeis sociais entre os sexos.
 
Patinando entre suas boas intenções, o filme se mostra tímido demais para o que pretende dizer, embora carregue um saudável viés contrário ao romantismo fácil.  
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