Escrito e dirigido por Rodrigo MacNiven e realizado em sistema de crowdfunding, Olympia 2016 une ficção e documentário para refletir sobre agudas contradições do Brasil contemporâneo. Assunto não falta.
É um esforço muito louvável num país com tantos dilemas pendentes. Um problema do filme, no entanto, é a falta de equilíbrio entre a parte documental e a ficcional, que não são integradas organicamente.
Deste modo, assiste-se com interesse entrevistas com personalidades nacionais e internacionais, como Vladimir Safatle, Nadine Borges, Lúcio Vaz, Raquel Rolnick, Juca Kfouri, Bernardo Toro e outros, pontuando temas com os perigos de um judiciário não imune ao tráfico de influências e ao surgimento de figuras messiânicas; a imutabilidade da classe política ao longo da história do Brasil; a transferência de recursos da nação ao setor financeiro (este, um drama mundial), o clientelismo que contamina esquerda e direita.
No entanto, ao intercalar-se estes ótimos depoimentos com a trama ficcional, o filme perde energia – inclusive porque esta ficção não é tão bem-elaborada e consistente. O segmento gira em torno de uma atávica situação de grilagem de terras, que provoca mortes há décadas, numa região em que a realização de uma Olimpíada vem agravar o fenômeno e dilatar a corrupção sistêmica.
Pode-se dizer que é uma boa tentativa, mas esbarrou numa deficiência de melhor dramaturgia e estruturação.
