09/07/2026
Drama

Quando Meus Pais Não Estão em Casa

Uma empregada filipina chega à casa do pequeno Jaijer e sua família, já que a mãe dele trabalha o dia inteiro e está grávida. No princípio, o garoto hostiliza a mulher. No entanto, quando ela se torna a pessoa mais presente na vida dele, surgem laços de afeto.

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Durante a exibição de Quando Meus Pais Não Estão em Casa é praticamente possível esquecer que se trata de um filme cingapurense e achar que foi filmado no Brasil, tamanha a semelhança nas dinâmicas familiares e sociais. Jialer (Jialer Koh) é uma criança desobediente e espevitada. Logo na primeira cena, entra numa briga com o professor que o iria punir batendo nele – bem, essa parte não poderia se passar no Brasil. Sua mãe, Leng (Yann Yann Yeo) é chamada no trabalho e dá uma bronca no filho.
 
Grávida e sob pressão constante com medo de desemprego, Leng acaba conseguindo uma empregada filipina, Terry (Angeli Bayani), para ajudar a cuidar da casa e do menino. De cara, ele não gosta dela, a quem deve chamar de Tia, além de dividir o quarto com ela. Ele hostiliza a mulher, faz pirraça, malcriações e até chega a causar problemas numa loja, tudo para se livrar da nova empregada.
 
Ela, no entanto, é a única que consegue tempo para dar alguma atenção ao garoto, cujo pai, Teck (Tian Wen Chen), perdeu o emprego. O filme se passa no final dos anos de 1990, momento de crise. Na empresa de transporte onde Leng trabalha, pessoas são mandadas embora todos os dias.
 
Aos poucos, Terry vai assumindo o papel de mãe e pai do garoto que, não chega a ser negligenciado pelos pais, mas também não tem tantos cuidados quanto precisava. Não que eles não sejam bons, mas acumulam mais fardos do que realmente são capazes de carregar.
 
Escrito e dirigido por Anthony Chen, o filme ganhou em Cannes o Caméra D’or (prêmio para diretores estreantes), e faz um retrato emocional de uma situação corriqueira – empregadas e babás substituindo os pais em suas funções – em vários cantos do mundo. Preocupado em criar pessoas de carne e osso – ao contrário de clichês ambulantes – o cineasta traz nuances para suas personagens. Terry, por exemplo, teve de deixar a família, que inclui um filho pequeno, para conseguir uma vida melhor. Quando seus patrões não estão em casa, também trabalha num salão de beleza. A mãe do garoto, por sua vez, vive sob o medo constante do desemprego, dando ordens a um marido um tanto passivo – este, o personagem mais tímido do filme. Chen constrói situações plausíveis, bastante próximas de nosso cotidiano brasileiro - mesmo com a distancia de tempo e espaço entre nós e o filme.
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