08/07/2026
Drama

Sabor da vida

Na meia-idade, Sentaro gerencia, sem grande entusiasmo, um pequeno negócio de alimentação. Ele está ali contra a vontade, devedor de enormes favores à família que é dona do lugar. Um dia, ele coloca um anúncio para contratar um auxiliar e aparece-lhe como entusiasmada candidata uma senhora de 76 anos, Tokue, com visíveis deformações nos dedos das mãos. Ele a recusa inicialmente, mas Tokue é de uma persistência invencível - e conhece como ninguém o segredo de fazer deliciosos "dorayakis".

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O delicado filme intimista da diretora japonesa Naomi Kawase, que abriu a seção Un Certain Regard, do Festival de Cannes de 2015, remete ao estilo de Akira Kurosawa, num esmiuçamento de relações humanas entre gerações.

Na meia-idade, Sentaro (Masatoshi Nagase), gerencia, sem grande entusiasmo, um pequeno negócio de “dorayakis” (espécie de mini-panquecas recheadas com massa doce de feijão). Ele está ali contra a vontade, devedor de enormes favores à família que é dona do lugar.

Sentaro coloca um anúncio para contratar um auxiliar e aparece-lhe como entusiasmada candidata uma velha senhora de 76 anos, Tokue (Kiki Kirin), com visíveis deformações nos dedos das mãos. Ele a recusa inicialmente, mas Tokue não é dessas pessoas que aceitam um não como resposta. O resultado é uma inusitada parceria que muda o recheio das panquecas, atrai multidões para a porta do lugar e sacode a vida do solitário Sentaro.

Com problemas com a família, uma das frequentadoras da lojinha de Sentaro, a adolescente Wakana (Kyara Uchida), torna-se o terceiro vértice deste triângulo, em que dialogam as necessidades humanas de todas as idades. Nesse intercâmbio, Kawase concretiza cenas de grande beleza plástica, envolvendo as cerejeiras em flor que Tokue admira tanto, num filme que discute a discriminação e o preconceito contra os doentes de hanseníase, antes isolados em sanatórios.
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