Como todo bom road movie, Dromedário no Asfalto é um filme que se constrói no avanço do espaço. A jornada de Pedro (Marcos Contreras), cada vez mais próximo de acertar contas com o passado, é também, num sentido, uma viagem de autocompreensão. Ele é um lobo solitário, na estrada, rumo ao Uruguai.
Este primeiro longa do premiado curtametragista Gilson Vargas prima pelo minimalismo e naturalismo com que desenvolve a narrativa e as interações do protagonista com pessoas que cruzam seu caminho. Mas o filme também é feito de silêncios e solidões, momentos de ensimesmamento do personagem.
Vargas faz do estudo de personagem o retrato de uma geração que busca preencher o seu vazio. Ao fundo, ouvem-se cartas, falas que ajudam na composição do protagonista e, aos poucos, revela os seus motivos. O diretor, que também assina o roteiro, poderia cair em armadilhas da lágrimas fáceis, mas ele e seu filme resistem bravamente, num tom poético, que não soa falso, nem forçado. Tudo isso é o olhar de Pedro diante da catarse que busca.
