09/07/2026
Drama

La Sapienza

Alexandre é um arquiteto de sucesso na França, mas inesperadamente, decide passar uma temporada na Itália, onde pretende concluir um estudo sobre Borromini, um arquiteto do século XVII. Na companhia de sua mulher, com quem tem um relacionamento frio, ele conhece um jovem casal de irmãos. O garoto pretende estudar arquitetura. A amizade com ele faz o protagonista redescobrir as alegrias da vida e do conhecimento.

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La Sapienza, drama do franco-americano Eugéne Green, parte da premissa de um telefilme daqueles bem melosos no qual, ao final, os personagens e o público em lágrimas descobrem alguma verdade óbvia sobre as dores e alegrias de viver. Nas mãos de outra pessoa, seria isso – mas o cineasta é seguro demais, e dono de um estilo peculiar o suficiente para transformar essa premissa num belo filme.
 
A arquitetura é uma questão central dentro da obra – o protagonista, Alexandre (Fabrizio Rongione) é arquiteto e pesquisa sobre a obra de Francesco Borromini, um arquiteto romano do século XVII. Repleto de frustrações e ansiedades – apesar da carreira bem-sucedida –, ele viaja para Itália, onde pretende escrever um livro. Sua mulher, Alienor (Christelle Prot Landman), - também pouco animada com seu trabalho como psicóloga –, decide ir junto, o que também deve servir para aproximar o casal, que não tem se dado muito bem.
 
Como é comum na obra de Green, esse é um filme de estranhamentos. A forma como é mostrado um jantar de Alexandre e Alienor, logo no início do filme, deixa clara a relação distante entre os dois. Num primeiro momento, então, a interpretação dos atores pode parecer fria, robotizada até – mas isso é apenas o estilo do diretor, que propõe uma obra mais antirrealista do que naturalista. Basta lembrar A Religiosa Portuguesa – exibido na Mostra de São Paulo, em 2009. Os atores não dizem suas falas, eles as declamam, o que pode incomodar muita gente, por tomar-se como ideal o estilo naturalista de Hollywood, em que o grande trabalho de um ator é não deixar que o público lembre que ele está atuando.
 
Passada essa barreira, há muito o que descobrir no estilo peculiar de filmar e narrar de Green. Stresa, uma comunidade à beira-mar, serve de cenário idílico para o desenrolar do drama do casal, que também conhece um par de adolescentes, os irmãos Goffredo (Ludovico Succio) e Lavinia (Arianna Nastro).
 
O jovem, que está prestes a entrar na universidade, quer estudar arquitetura – e Alexandre, apesar de resistir a uma aproximação maior com o rapaz, acaba transformando-o num discípulo involuntário. Enquanto Alienor também encontra em Lavinia um entusiasmo que há longo perdera.
 
Construído em cima de diálogos, a narrativa de La Spienza chega a lembrar Éric Rohmer, embora sua estrutura registre bem menos incidentes do que costumavam ter os filmes do francês. Aqui, a ação se concentra na falta de habilidade do protagonista em conciliar sua curiosidade intelectual e a vida prática. Esse duelo encontra momentos de humor sutil, mas também investiga o lugar da arte e da intelectualidade num mundo pautado pela urgência.
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