Com a tetralogia encomendada (o desfecho foi dividido em duas produções), Maze Runner: Prova de Fogo mostra o destino dos “clareanos”, que fugiram do labirinto no primeiro filme. O que se sabe é que o grupo de adolescentes liderados por Thomas (Dylan O'Brien) faz parte de uma experiência controlada pela organização vilã CRUEL, que tem a ver com a epidemia “fulgor”, que destruiu o planeta.
Na versão do roteirista T.S. Nowlin (que praticamente reescreveu a trama), Thomas e sua trupe acabam em uma fortaleza de refugiados de outros labirintos, na sequência dos fatos do primeiro filme. Chefiado pelo irônico Janson (Aidan Gillen, da série de TV Game of Thrones), não demoram muito para perceber que se trata de uma nova armadilha da CRUEL.
Assim, precisam escapar mais uma vez, agora para um deserto escaldante habitado por criaturas mortais, os tais Cranks – pessoas infectadas com o “fulgor”, que se tornam uma espécie de mortos-vivos, similares aos do filme Guerra Mundial Z. Os únicos refúgios são vilarejos dominados por bandidos e um grupo armado de resistência à CRUEL, que vive nas montanhas.
Por mais licenças que se dê a um filme intermediário na saga, pois a resolução dos conflitos é intencionalmente deixada para as próximas produções, o que se vê em Prova de Fogo é um problema de evolução. Não há um desenvolvimento dos personagens (em parte, uma deficiência que vem do livro) ou mesmo da narrativa; apenas um punhado de situações de ação com pouquíssimas pistas sobre a motivação do que se vê na tela.
Superior em quase todas as dimensões, Correr ou Morrer ainda era inventivo ao canalizar para si elementos de O Senhor das Moscas (escrito por William Golding e adaptado aos cinemas em 1990, por Harry Hook) e do paranoico Cubo (de Vincenzo Natali, em 1997). Daí a expectativa que o diretor Wes Ball mantivesse a qualidade desta sequência, que pode confundir até mesmo quem leu a trilogia.
