Transitando entre Mistérios de Lisboa, de Raul Ruiz, e A Inglesa e o Duque, de Éric Rohmer, Os Maias, do português João Botelho, é a prova de que o romance de Eça de Queiroz se adapta melhor a uma série de televisão do que a um filme – dado o ritmo da narrativa e a quantidade de tramas e personagens. Basta conferir a adaptação televisiva de Luiz Fernando Carvalho, de 2000. Ainda assim, Botelho fez um trabalho bastante eficiente na transposição do romance de 1888.
A primeira parte, que narra o romance entre Pedro da Maia (Nuno Casanovas) e Maria Eduarda Runa (Ana Moreira), é rápida, sem entrar em detalhes, pois o interesse do filme está na segunda parte, quando o casal já se separou, o rapaz se matou, e seu filho Carlos Eduardo (Graciano Dias) vive com o avô, Afonso (João Perry), uma vida de aristocrata rico, cujas preocupações se limitam a mulheres e amigos.
A chegada de Maria Eduarda (a brasileira Maria Flor) a Lisboa transforma o rapaz, que se interessa pela moça, mãe de uma filha pequena e casada com um brasileiro que não veio com elas. Com o tempo, os dois se tornam amantes, mas um segredo do passado determina o destino desse romance trágico.
Com diversos cenários composto de pinturas – como no filme de Rohmer –, Os Maias é tecnicamente competente, e os atores, empenhados. Mas nem sempre a narrativa dá o tempo necessário para que as emoções e tramas se desenvolvam de forma orgânica, sem parecerem apressadas. Ainda assim, Botelho faz um bom filme.
Ao voltar para Lisboa de uma viagem pela Europa, o jovem médico Carlos da Maia só quer se divertir. Até que se apaixona por Maria Eduarda. Um segredo do passado, porém, anuncia uma tragédia por vir.
- Por Alysson Oliveira
- 09/11/2015
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