Em Feitiço do Coração, pelo menos Duchovny não corre riscos. Os demais intérpretes masculinos são um simpático grupo de velhinhos (Robert Loggia, Carroll O'Connor, Eddie Jones e William Bronder) e um James Belushi muito acima do peso. Assim, o galã fica muito à vontade no papel de Bob Rueland, um construtor apaixonado pela bela mulher, a zoóloga Elizabeth (Joely Richardson). Mas, justamente na noite de gala em que a esposa consegue uma doação milionária para reformar o habitat de seu gorila favorito, ela morre num acidente de carro. Na cena em que, sozinho em casa, Duchovny chora sozinho o seu desespero, ele vai além de tudo o que mostrou antes como ator - embora, é bom lembrar, as oportunidades tenham sido poucas, especialmente caçando ETs e decifrando fenômenos paranormais ao lado da gelada Scully (Gillian Anderson), sua parceira em Arquivo X.
Como em toda história romântica convencional, uma incrível série de coincidências aciona o romance. Uma delas é o inevitável amigo alcoviteiro (David Alan Grier) que leva o viúvo inconsolável ao restaurante O'Reilly - fruto de uma barulhenta união entre sócios irlandeses e italianos onde a garçonete Grace (Minnie Driver) acaba de ganhar vida nova graças a um transplante de coração. Depois dos incidentes de rotina, brota uma atração entre os dois, que fatalmente esbarra num obstáculo duro de digerir - a moça recebeu o coração justamente da mulher morta do construtor.
Os mais ácidos com certeza vão torcer o nariz e achar tudo implausível demais. Mas os românticos, a quem o filme se dirige, encharcarão seus lenços. Ceticismo à parte, é inegável que tem qualidades este trabalho de estréia da diretora Bonnie Hunt (atriz de À Espera de um Milagre), autora do argumento, co-roteirista que também atua como a melhor amiga e confidente da heroína .
