26/08/2026
Drama

Feitiço do Coração

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Apesar de estrelar, há sete anos, uma das mais bem-sucedidas séries de TV, Arquivo X, David Duchovny não desistiu ainda de ter uma carreira cinematográfica. Na tela grande, porém, ele não repete o sucesso do agente Fox Mulder, que lhe garante um pagamento de meio milhão de dólares por episódio. Costuma ser engolido por astros mais carismáticos como Harrison Ford, ao lado de quem fez sua primeira ponta, em Uma Secretária de Futuro (88), até sua mais conhecida participação, no suspense Kalifornia (93) - onde Brad Pitt lhe roubou fácil a cena, ainda mais na pele de um tresloucado serial killer.

Em Feitiço do Coração, pelo menos Duchovny não corre riscos. Os demais intérpretes masculinos são um simpático grupo de velhinhos (Robert Loggia, Carroll O'Connor, Eddie Jones e William Bronder) e um James Belushi muito acima do peso. Assim, o galã fica muito à vontade no papel de Bob Rueland, um construtor apaixonado pela bela mulher, a zoóloga Elizabeth (Joely Richardson). Mas, justamente na noite de gala em que a esposa consegue uma doação milionária para reformar o habitat de seu gorila favorito, ela morre num acidente de carro. Na cena em que, sozinho em casa, Duchovny chora sozinho o seu desespero, ele vai além de tudo o que mostrou antes como ator - embora, é bom lembrar, as oportunidades tenham sido poucas, especialmente caçando ETs e decifrando fenômenos paranormais ao lado da gelada Scully (Gillian Anderson), sua parceira em Arquivo X.

Como em toda história romântica convencional, uma incrível série de coincidências aciona o romance. Uma delas é o inevitável amigo alcoviteiro (David Alan Grier) que leva o viúvo inconsolável ao restaurante O'Reilly - fruto de uma barulhenta união entre sócios irlandeses e italianos onde a garçonete Grace (Minnie Driver) acaba de ganhar vida nova graças a um transplante de coração. Depois dos incidentes de rotina, brota uma atração entre os dois, que fatalmente esbarra num obstáculo duro de digerir - a moça recebeu o coração justamente da mulher morta do construtor.

Os mais ácidos com certeza vão torcer o nariz e achar tudo implausível demais. Mas os românticos, a quem o filme se dirige, encharcarão seus lenços. Ceticismo à parte, é inegável que tem qualidades este trabalho de estréia da diretora Bonnie Hunt (atriz de À Espera de um Milagre), autora do argumento, co-roteirista que também atua como a melhor amiga e confidente da heroína .

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