Fredric Jameson, um dos mais importantes críticos e teóricos culturais norte-americanos da atualidade, aponta que uma das características do nosso tempo, a pós-modernidade, é a fragmentação. O documentário Quanto Tempo o Tempo Tem, de Adriana L. Dutra (codirigido por Walter Carvalho), investiga exatamente essa característica de nosso presente: a articulação do tempo.
O que é gastar o tempo de forma proveitosa? Ficar olhando para o tempo é menos produtivo do que atualizar o status no Facebook? O que é o tempo produtivo (uma característica diretamente ligada ao estágio do capitalismo contemporâneo)? O documentário conta com diversas entrevistas com especialistas e pensadores que ajudam a investigar o que é o tempo na época presente.
A sociedade pós-industrial e a tecnologia do presente, mostra o longa, nos obriga – nem que seja por meio de um reflexo instintivo conduzido, de maneira quase inconsciente – a estarmos conectados o tempo todo, nos obriga a sermos producentes em tempo integral – independente do que estejamos produzindo. “O tempo tem que ser produtivo no sentido econômico”, comenta um dos entrevistados de maneira crítica.
O filme de Adriana L. Dutra pode fazer alguns comentários óbvios, mas, ao mesmo tempo, escancara argumentos que tentamos fingir que não vemos: a tecnologia que tanto nos ajuda a facilitar a vida, as relações sociais, nos leva também a trabalhar a mais, ou a ter mais tempo para trabalhar em outra coisa.
Como aponta Quanto tempo... nada é completamente bom, nem completamente ruim. A expectativa de vida aumentou (“80 são os novos 60”, diz uma entrevistada). O sistema, ao mesmo tempo, precisa dar condições para que os indivíduos tenham uma boa qualidade de vida e se aproveita dessa longevidade. Compartilhando suas próprias experiências, Adriana investiga as transformações entre passado e presente, e tudo o que isso nos proporciona e também cobra de nós mesmos.
