Há nas histórias de Asterix e Obelix muito mais do que apenas um retrato divertido da antiguidade clássica romana. Os personagens foram criados por Albert Uderzo e René Goscinny, na França, do final da década de 1950 e, desde então – em quadrinhos e cinema –, fazem, na verdade, uma crítica às políticas e sociedades de cada tempo.
Asterix e o Domínio dos Deuses pode ser visto também como um comentário político sobre a hegemonia do presente – tanto no plano global, quanto micro. O imperador Júlio César construirá um condomínio de luxo ao lado da aldeia dos gauleses. Surgem, então, temas como o domínio das políticas mundiais por meio da força econômica e a especulação imobiliária.
Dirigida por Louis Clichy e Alexandre Astier, a animação mostra como os romanos tentam absorver os gauleses – e usurpar sua terra, consequentemente – por meio de algo como a aculturação. As questões sérias que aparecem na narrativa, no entanto, servem, inclusive, como alavanca para momentos de humor sagaz, envolvidos numa animação caprichada com ritmo ágil, além de fiel ao espírito dos personagens criados mais de meio século atrás.
