É curioso que uma produção espanhola, produzida, dirigida e escrita por espanhóis, seja tão escancaradamente um veículo de propaganda americana – em pleno 2016, quase 3 décadas depois do fim da Guerra Fria. A questão central da animação No Mundo da Lua é provar que, sim, os americanos realmente foram ao satélite da Terra, em 1969, e fincaram a bandeira do país lá, que, aliás, está até hoje. Até aí, nada demais. Mas a questão complica quando se insiste, cena sim, cena não, que a bandeira lá representa toda a humanidade. Será que até os vietnamitas, que estavam em guerra contra os EUA no momento, também estavam representados ali?
O protagonista é um garoto de 12 anos, Mike, filho e neto de astronautas que sonharam mas nunca puderam ir à Lua. O avô e o pai, aliás, não se falam – e isso pode ter a ver com essa frustração –, apesar das tentativas da mãe do menino de ajudar os dois a fazerem as pazes.
Um ricaço, no entanto, quer provar que a ida do homem à Lua é uma farsa – na melhor cena do filme, ele mostra Stanley Kubrick dirigindo Neil Armstrong num estúdio. Mas a presidenta dos EUA sabe que realmente o astronauta realmente pisou em solo lunar e pretende parar o plano do vilão, que construiu um foguete para chegar ao satélite, roubar a bandeira americana e "provar sua teoria”.
Por uma série de acidentes, Mike, sua amiga Amy e o avô acabam presos num foguete e não têm outra saída a não ser ir à Lua, impedindo o plano mesquinho do vilão, que também tem outras intenções.
Ganhador do Goya (o principal prêmio da indústria cinematográfica espanhola) no ano passado, na categoria animação, o filme conta com um clima retrô e técnicas e narrativa convencionais bem aquém da sofisticação da Disney, Pixar e dos japoneses do Ghibli, por exemplo.
