08/07/2026
Drama

Teobaldo morto, Romeu exilado

Aos 32 anos, o músico João espera o primeiro filho com sua mulher. Após ela romper com ele, o rapaz procura isolamento numa casa de campo. Meses depois, é surpreendido pela visita de um amigo que havia desaparecido.

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O título de Teobaldo Morto, Romeu exilado faz uma referência à peça de William Shakespeare. A morte de Teobaldo (primo de Julieta), pelas mãos de Romeu, desencadeia, enfim, o destino trágico do casal central. Aqui, não há literalmente nenhum dos dois, mas o diretor e roteirista Rodrigo de Oliveira busca nesses atos o ponto de partida para a ação de seu segundo longa – o primeiro é As Horas Vulgares, codirigido por Vitor Graize.
 
João (Alexandre Cioletti) é um músico de pouco mais de 30 anos, casado e esperando o primeiro filho. Desentendimentos com sua mulher (Sara Antunes), levam-no a isolar-se numa casa de campo, emquanto se prepara para o nascimento da criança. Solitário, recebe a visita de Max (Rômulo Braga), um amigo do passado que sumiu sem deixar rastros e foi dado como morto.
 
O reencontro transita entre a aproximação e o enfrentamento, às vezes verbal, às vezes, físico. As contas que se acertam com o passado são as condições para que João prossiga com o futuro. Teobaldo morto, Romeu exilado é um filme que se constrói nesse diálogo entre o passado mal-resolvido que precisa se ajeitar para que o futuro exista.
 
A bela fotografia de Lucas Barbi valoriza o escuro sombrio dos interiores e a amplitude das cenas na natureza (o filme foi rodado em Burarama, distrito de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo). Enquanto os diálogos – nem sempre naturalistas – se compõem de forma poética, encontrando na ótima interpretação da dupla central a exatidão do duelo que alcança dimensões simbólicas.
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