08/07/2026
Drama

Na ventania

Uma estudante de filosofia e sua filha pequena são mandadas para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Esforçando-se para não morrer e proteger a menina, ela tenta fazer contato com o marido por meio de cartas.

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Uma página da história da Estônia é a força motora de Na Ventania, uma espécie de filme-tableau dirigido por  Martti Helde que impressiona, especialmente, por sua beleza visual em preto e branco – com fotografia assinada por Erik Pollumaa. O momento é 1941, quando Stalin manda matar ou deportar para a Sibéria moradores de países bálticos.
 
O ponto de vista é de uma bela jovem da Estônia, chamada Erna (Laura Peterson), que narra sua história. Diários e cartas dessa mulher serviram de inspiração para o filme, que não tem diálogos, apenas essa narração numa voz melancólica e cadente. Uma espécie de prólogo introduz a família dela, que vivia uma vida tranquila com seu marido, Heldur (Tarmo Song), e filha, Eliide (Mirt Preegel). Ele fazia parte da Liga de Defesa da Estônia.
 
A chegada dos soviéticos na fazenda muda não apenas a vida de Erna, como também a forma do longa. A partir de então, os atores estão “congelados”, parados em sua ação, como uma fotografia viva, e a câmera passeia por eles e o cenário. É um estranhamento belo e poético, enquanto Erna descreve o que está acontecendo, seus pensamentos e sentimentos.
 
Sem seu marido, e levada para uma fazenda coletiva e gélida, Erna é obrigada a fazer trabalho pesado e perigoso, recebendo em troca 200g. de pão, que devem alimentar a ela e à filha. Ela escreve cartas tristes e desesperadas para o marido.
 
Ao todo, são 13 quadros, que levaram meses para preparação, mas foram filmados em um dia apenas cada um. O preto e branco – especialmente com a neve caindo quase constantemente – joga uma luz no passado com uma imagem que ecoa no presente, numa região sempre conturbada.
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