08/07/2026
Drama Comédia

Esperando acordada

Perrine é uma moça atrapalhada que vive de pequenos trabalhos. Quando causa um acidente e um desconhecido fica em coma, ela começa a visitar o sujeito, dizendo ser sua prima. Sua vida e a das pessoas ao seu redor começam a se transformar.

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A comédia francesa Esperando Acordada, de Marie Belhomme, é uma espécie de fantasia realista, tendo como protagonista a atrapalhada Perrine, interpretada por Isabelle Carré (Românticos Anônimos). A questão do filme, o que é comum ao gênero, é, então, a transformação da personagem que busca um rumo na vida.
 
Perrine é uma espécie de faz-tudo: dá aulas de música, anima festa infantil e em asilos, mas não se sente feliz em nenhuma dessas atividades. Qual é o seu lugar no mundo? Uma série de acontecimentos infelizes, contraditoriamente, podem começar a ajudá-la a se encontrar.
 
Fantasiada para animar uma festa num asilo, ela assusta um homem, enquanto pedia ajuda para localizar o caminho. O sujeito, Fabrice Lunel (Philippe Rebbot), se desequilibra, cai, bate com a cabeça e parece estar morto. Ela liga para a ambulância e foge. Chegando na instituição encontra a diretora, Lucie (Carmen Maura), a quem confessa “o crime”. Mas logo se descobre que o homem não morreu, mas está em coma num hospital na região. Perrine sente-se na obrigação de tomar conta dele e começa a visitá-lo, dizendo que é uma prima distante.
 
A diretora estreante Marie Belhomme, que assina o roteiro com Michel Leclerc, cria uma comédia que transita entre diversas vertentes do gênero – desde a pastelão, com as trapalhadas de sua protagonista, até a de erros (a falsa identidade) e a romântica. As idas e vindas sutis funcionam especialmente por causa do trabalho de sua protagonista que, curiosamente aqui, lembra Amy Adams.
 
Isabelle Carré é uma atriz versátil, capaz de tirar interpretações profundas tanto em dramas – como a problemática protagonista de O Refúgio, ou a freira destemida em A Linguagem do Coração – como comédias – desde sofisticadas como Medos Privados em Lugares Públicos, de Alain Resnais, até mais leves, como Românticos Anônimos. A verdade é que aqui, ela é a alma de Esperando Acordada. É impossível imaginar outra atriz que não ela no papel da encantadora Perrine. 
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