Macho e romântico a um só tempo, Gibson encarna um personagem polêmico, inspirado numa figura histórica, Francis Marion, que ganhou muito má fama ultimamente. Talvez injuriados por verem seus compatriotas pintados como vilões tão impiedosamente no filme, historiadores ingleses levantaram a tese de que Marion foi um caçador de índios e estuprador de escravas. Pegando carona nesta polêmica, o diretor Spike Lee criticou a superprodução, acusando-a de "branquear a história". Para Lee, é muito conveniente que o protagonista não tenha nenhum escravo - os empregados negros que o servem são todos livres. Mais politicamente correto impossível, embora duro de engolir, quando é fato histórico que até o patriarca da independência americana, George Washington, era dono de escravos.
Essa discussão, em todo caso, é para pensar depois do filme. Durante a ação, o som e a fúria da história absorvem toda a atenção, com vários momentos de violência muito explícita. Benjamin Martin (Gibson) é um ex-combatente da conquista do continente norte-americano contra os franceses e os índios. Na ocasião, tornou-se famoso por sua coragem e até por um bocado de crueldade frente aos inimigos. Redimido pelo casamento, teve sete filhos, tornou-se fazendeiro e enviuvou. A nova guerra da independência pega-o desprevenido. Maduro, ele já não tem mais o mesmo apetite por sangue e teme pagar pecados antigos, cometidos no calor da batalha.
Mas os tempos o exigem e Martin não foge à luta - até porque esta vem bater-lhe à porta e começa a atingir o bem que ele considera mais precioso, seus filhos. Ferido neste ponto sensível, ele arma-se de todos os rifles, pistolas, facas e até de uma machadinha indígena, troféu do passado, e retoma a guerrilha feroz cujos princípios conhece como a palma da mão. Torna-se o líder de uma guerra que parece perdida, mas tem final feliz registrado nos livros de História, com uma providencial mãozinha dos franceses, simbolizados no filme pelo major Jean Villeneuve (Tcheky Karyo).
Entre dezenas de ingleses, quem segura o posto de vilão principal é o coronel Tavington (Jason Isaacs), um oficial oportunista que procura a vitória a qualquer preço e especializa-se em causar baixas à família do herói. O acerto de contas entre os dois é um duelo muito anunciado, que o roteiro de Roberto Rodat (de O Resgate do Soldado Ryan) segura para o final, como manda o figurino. Seguir o figurino do sucesso, aliás, está se tornando a especialidade do diretor alemão Roland Emmerich, que junto com o produtor americano Dean Devlin entregou nas telas produtos de alto consumo popular como Godzilla, Independence Day e Stargate, por mais que os críticos torçam o nariz.
