08/07/2026
Drama Comédia

Belas famílias

Jérôme é um francês que mora há anos na China. Uma viagem a trabalho a Londres lhe dá a oportunidade de visitar sua família em Paris e apresentar sua noiva. Quando a velha casa da família em Ambray está ameaçada, ele vai lá para tentar salvá-la. Aí conhece a filha da segunda mulher de seu falecido pai.

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Diretor conhecido mais por filmes de época, como seu sucesso Cyrano (1990), Jean-Paul Rappeneau monta em Belas Famílias uma comédia de erros tão cheia de peripécias quanto seus outros trabalhos. E assim compõe uma inspirada crônica das mazelas contemporâneas.
 
A família Varenne é o centro deste relato, que partiu de uma ideia original de Rappeneau e Jacques Fieschi. O filho mais velho do clã, Jérôme (Mathieu Amalric), partiu há anos da França para Xangai, onde se estabeleceu como executivo e parceiro comercial e amoroso da bela Chen-Lin (Gemma Chan). Uma viagem de negócios do casal, rumo a Londres, dá a oportunidade para uma paradinha em Paris e a apresentação da noiva ao resto da família Varenne, a mãe Suzanne (Nicole Garcia) e o irmão Jean-Michel (Guillaume de Tonquédec).
 
Este núcleo permite a Rappeneau desenvolver uma trama em torno da globalização e do choque cultural, temperada por uma discussão sobre o valor da tradição e das raízes. Jérôme terá chance de confrontar seus próprios sentimentos sobre isso quando descobre que a velha casa familiar, em Ambray, está prestes a ser demolida. No momento, o negócio está pendente por uma disputa judicial entre o empreendedor imobiliário Grégoire Piaggi (Gilles Lellouche), que pretende erguer um condomínio de luxo, e o prefeito local, Pierre (André Dussollier), empenhado em construir apartamentos populares e garantir sua reeleição.
 
A iminente perda de sua casa abala Jérôme a ponto de largar a noiva em Paris e dirigir-se a Ambray, desencadeando um confronto com seus fantasmas internos, em torno da figura do pai morto (Noël Hamann). A viagem acrescenta elementos apimentados a este retorno, quando Jérôme conhece a bela Louise (Marine Vacth) – enteada de seu pai na nova relação que motivou o divórcio de sua mãe, com Florence (Karin Viard).
 
Disparando incidentes em múltiplas direções, o enredo investe num tom farsesco, mas sem deixar de delinear a densidade de algumas situações. Afastado da direção há 13 anos – o último trabalho fora Viagem do Coração (2013) - , Rappeneau mostra não estar enferrujado na condução do elenco experiente. Destoa um pouco a belíssima Marine Vacth (Jovem e Bela), cujo talento dramático e timing cômico ficam devendo, ainda mais cercada de tantos medalhões.
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