08/07/2026
Drama

A última lição

No dia do seu 92o aniversário, Madeleine decide que daí a três meses irá cometer suicídio assistido. Toda a família fica contra a decisão. Apenas sua filha compreende sua disposição e resolve aproveitar os últimos dias de sua mãe ao lado dela.

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No 92o aniversário de Madeleine (Marthe Villalonga, de Agonia e Glória), ela faz uma revelação chocante: escolheu o dia e as condições de sua morte. A família, que não esperava por isso (até comprou uma TV de plasma para ela!), fica estarrecida. Dali a três meses, a mulher vai colocar um fim na sua vida, para desespero de sua família, que acredita ser uma depressão, apenas uma fase que logo passará.
 
Assim, o filme, dirigido por Pascale Pouzadoux transita entre o tema do suicídio assistido e as relações familiares, no momento em que a filha de Madeleine, Diane (Sandrine Bonnaire), resolve passar o máximo de tempo que puder em companhia da mãe. Com apenas três meses de tempo, ela começa não apenas a aceitar a decisão da mãe, como a ajudar nos preparativos. Seu irmão, Pierre (Antoine Dulery), no entanto, não aceita a escolha da mãe.
 
Ele talvez seja o personagem mais plausível nesse drama adaptado do romance de tons autobiográficos de Noëlle Châtelet, irmã do ex-primero ministro francês Lionel Jospin. Há um carinho muito grande da diretora, além de sua busca pelo que há de mais humano nessas figuras – especialmente suas contradições –, mas um excesso extravagâncias parece destoar, como a cuidadora negra (Sabine Pakora), cantando cantigas africanas para confortar Madeleine.
 
Não há, entretanto, como negar: este é um filme sobre mães e filhas, e, nesse sentido, Sandrine e a veterana Marthe brilham em seus papeis, embora, nem sempre o filme seja justo com elas.
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