18/07/2026
Guerra Drama

Até o último homem

Religioso e antiviolência, Desmond Doss alista-se no exército norte-americano em 1942 para tornar-se médico. Mas se recusa a pegar num fuzil e dar tiros, por acreditar que sua missão é salvar vidas, não tirá-las. Sofre todo tipo de bullying e perseguição, mas cpnsegue mostrar sua bravura nos campos de batalha do Japão.

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Vencedor de dois Oscar (montagem e mixagem de som), o drama de guerra Até o Último Homem marca a ressurreição profissional de Mel Gibson. O astro do Mad Max original dos anos 1970 e 1980, ator e diretor premiado com o épico Coração Valente (1995) viveu, desde meados dos anos 2000, uma espiral de escândalos e decadência, na esteira de declarações antissemitas e homofóbicas.
 
Dirigido por Gibson, Até o último homem parece tê-lo recolocado no pódio a que ele estava acostumado em Hollywood. Curiosamente, a história gira em torno de um herói atípico para os padrões dos personagens que o próprio Gibson costuma defender como ator, em geral, cheios de fúria. Ao contrário, Desmond Doss (Andrew Garfield, também indicado ao Oscar) é um sujeito pacífico, religioso, que se alista para lutar na II Guerra Mundial para tornar-se médico mas se recusa a pegar numa arma e dar um único tiro. Sua missão, sustenta ele, é salvar vidas, não tirá-las.
 
Curiosamente, Doss existiu mesmo, tornou-se herói e recebeu a Medalha de Honra por ter salvado 75 colegas na encarniçada batalha de Okinawa, no Japão. Mas, antes desse reconhecimento, não foi nada fácil a sua vida na tropa. Nenhum de seus companheiros de farda aceitava um soldado que realizava todos os treinamentos com vontade mas se recusava a pegar num fuzil. Todos o consideravam covarde e não raro tornaram sua vida um inferno. Muito menos seus superiores, como o sargento Howell (Vince Vaughn), o capitão Glover (Sam Worthington) e o coronel Sangston (Robert Morgan), que tudo fizeram para forçá-lo a desistir e até levá-lo a corte marcial.
 
Todo esse perfil moral de Doss tem a ver com uma vida familiar em que é presença central o pai militar e alcoólatra (Hugo Weaving), a mãe que ele sempre defendeu (Rachel Griffits) e a noiva por quem é apaixonado, a enfermeira Dorothy (Teresa Palmer).
 
A sequência que mostra a batalha definidora da vida de Doss, ponto alto do filme, é marcada por um impressionante realismo, dando a medida da crueldade da luta, que durou dias, e do esforço de salvamento realizado pelo soldado. Ficando escondido depois que seus companheiros recuaram, ele foi capaz de resgatar, sozinho e desarmado, os feridos, um a um, descendo-os amarrados a uma corda, de uma altíssima parede de pedra.
 
No final do filme, imagens documentais mostram o verdadeiro Doss, que o filme transforma num herói que nunca deixou de ser um homem comum. 
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