18/07/2026
Infantil Animação

Minha vida de Abobrinha

Icare, mais conhecido como Abobrinha, é colocado no orfanato depois que sua mãe alcoólatra e abusiva morre. Chegando lá, encontra outras crianças na mesma situação. Todos se ajudarão mutuamente a enfrentar as dificuldades.

post-ex_7
Icare tem 9 anos, olhos grandes e melancólicos e cabelo azul. Ele prefere, no entanto, ser chamado de Abobrinha, seu apelido desde que se conhece por gente, conforme conta aos novos colegas do orfanato, para onde foi mandado após a morte de sua mãe alcoólatra e abusiva.
 
Adaptado por Celina Sciamma (Tomboy, Girlhood) a partir do romance infanto-juvenil de Gilles Paris, Minha Vida de Abobrinha marca a estreia na direção de longas em stop-motion do suíço Claude Barras, que mantém aqui um ponto de vista infantil – mas não é, necessariamente, um filme para crianças. Abobrinha é o centro do filme, e também a consciência e a força motora da narrativa.
 
Chegando no orfanato, conhece outras crianças na mesma situação – filhos de pais drogados, deportados etc.  Juntos se consolam e cuidam mutuamente, sem nem se dar conta disso tudo. Até o bad boy local, Simon, logo se torna amigo de Abobrinha – afinal todos precisam um do outro ali. Quando Camille chega ao orfanato, a paixão do protagonista por ela é instantânea.
 
Apesar de trabalhar com um material que não é seu originalmente, é possível notar os toques de Sciamma no roteiro, especialmente em seu olhar preciso e delicado para as dores do amadurecimento – um tema presente em sua obra como diretora. A técnica de animação apurada contribui com a excelência do filme, calcado em estranhamentos – físicos e emocionais – causados pelos personagens.
 
Concorrente ao Oscar de animação, Minha Vida de Abobrinha é um grande filme sobre assuntos universais e atemporais, como os laços de amizade que se formam nas situações adversas, e as dores do crescimento e amadurecimento.
 
O apuro visual é sedutor. O colorido e as formas estranhas dos personagens acabam por transformá-los em figuras delicadas, frágeis, mas ao mesmo tempo encantadoras. No fundo, a força do filme está em sua dimensão humana. Essas criaturinhas “artificiais” contêm em si mais humanidade e expressividade do que muitos atores de carne e osso.
post