Baseado numa história real, que aconteceu na Tchecoslováquia dos anos de 1970, Eu, Olga Hepnarová é um estudo de personagem construído com um distanciamento frio, numa bela fotografia em preto e branco que parece congelar a imagem num passado distante, embora o retrato da alienação emocional possa ecoar até hoje. A protagonista, interpretada por Michalina Olszanska, é uma jovem homossexual com um conflito interno severo que parece refletir o social do país onde mora.
Nascida no começo dos anos de 1950, ela teve uma vida curta e problemática. Ela é introduzida no longa, dirigido por Petr Kazda e Tomás Weinreb, como uma adolescente atormentada, que tenta o suicídio e fracassa. Sua mãe (Klára Melísková) decreta: “Até para se matar é preciso ser forte”. Isso parece atormentar a garota pelo resto de sua existência.
Incapaz de se matar e também de lidar com o peso de suas escolhas numa sociedade opressiva e opressora, Olga buscará uma morte infligida por outras mãos. Levada a um estado que beira uma zumbi, a moça quer se vingar do mundo que não se importa com ela. Isso culmina num ato extremo numa rua de Praga, em 1973, que é retratado de forma quase banal nas mãos dos diretores – esvaziando um tanto um impacto do horror daquilo que está acontecendo na tela (e aconteceu no mundo real).
Há um algo de mártir em Olga, uma Joana D’Arc alienada, que ganha vida na interpretação meditada de Michalina Olszanska, uma jovem atriz polonesa em ascensão. A vida da protagonista é destituída de qualquer tipo de alegria ou conforto. Nem nas cenas de sexo com as mulheres que deseja, ela parece feliz. É nessa infelicidade constante, nos olhos vagos, que a intérprete encontra a honestidade de sua interpretação que, em alguns momentos, é maior que o filme.
