Duplamente premiada no Festival de Gramado 2016 – Prêmio Especial do júri oficial e melhor filme estrangeiro para o júri popular -, a estreia do diretor argentino Papu Curotto, Esteros, retrata de maneira delicada e intimista o amor reprimido entre dois garotos que cresceram juntos, Matías e Jerónimo.
Quando crianças, interpretados por Joaquín Parada e Blas Finardi Niz, os meninos não se largam. Filhos de famílias amigas na cidade fronteiriça de Paso de Los Libres, eles estudam juntos, brincam, jogam bola, nadam, numa amizade e irmandade de alma que um dia avança um pouco mais em intimidade física. Amedrontado e incapaz de lidar com a situação, Matías retrai-se deste convívio.
A história interrompida é retomada anos depois, quando Matías (agora, Ignacio Rogers), que vive no Brasil, volta à cidade natal com a noiva brasileira, Rochi (Renata Calmon), para passar o Carnaval. É inevitável que Matías reveja o amigo de infância, agora interpretado por Esteban Masturini. E que a atração, não assumida por Matías, transpire por todos os poros da dupla.
Há um empenho sincero dos intérpretes em assumir essa gama de sentimentos represados, num contexto um tanto pobre, já que a história tem um foco único e poucas nuances. Por conta disso, há uma certa falta de ritmo nesse acompanhamento das hesitações de Matías e da ansiedade de Jerónimo – que assume mais naturalmente sua homossexualidade.
A personagem da noiva brasileira, aliás, é um conjunto desastroso de chavões mal-construídos. Também não é muito consistente a tentativa de falar da preservação dos estuários (essa a tradução do título original), o ambiente onde cresceram os dois meninos e que seria uma metáfora para as forças da natureza que lutam no íntimo dos dois.
