07/07/2026
Drama

O reino da beleza

Um jovem arquiteto rico e feliz começa um caso extraconjugal que coloca em risco sua felicidade ao lado de sua mulher.

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O Reino da Beleza realmente é um título apropriado para o filme escrito e dirigido pelo canadense Denys Arcand, pois o que há aqui é beleza – de pessoas e cenários - e praticamente nada além disso. Um título alternativo poderia ser “gente bonita também sofre”. O roteiro é tão pueril que nem parece assinado pela mesmo cineasta que escreveu (e dirigiu) O Declínio do Império Americano e o oscarizado As Invasões Bárbaras.
 
O protagonista é Luc (Eric Bruneau), um arquiteto de pouco mais de 30 anos, bem-sucedido, rico, fino, bonito e casado com a bela Stephanie (Melanie Thierry). Eles moram numa casa idílica na região rural próximo a Quebec, são cultos e fazem atividades de gente rica – até cantar como tenor no coral da igreja ele canta! Apesar de ter tudo, o rapaz não está plenamente satisfeito – ele se sente esnobado: raramente é convidado para as inaugurações dos prédios luxuosos que construiu.
 
Numa viagem a Toronto, embarca num romance tórrido com Lindsay (Melanie Merkosky) – o que gera alguns dos piores diálogos do filme. Diz ela quando o quer seduzir: “Eu me casei com meu namoradinho da escola. Ele é o único homem da minha vida até agora. Eu quero que você passe a noite comigo”. Sem resistir a tal cantada, Luc começa a se sentir culpado pela traição, e sua mulher desenvolve uma séria depressão.
 
Há outras subtramas envolvendo uma médica lésbica (Marie-Josée Croze) – com cuja namorada a mulher do protagonista pode estar tendo um caso –, e outra sobre um homem (Michel Forget) com uma doença grave, embora nunca fique claro o que é. Com ele, Arcand quer mostrar as deficiências do sistema de saúde canadense, mas isso fica na intenção.
 
Caso se queira dar algum crédito a Arcand, é possível argumentar que ele mira na sátira, mas não acerta o alvo. O que ele acerta, no entanto, é o que há de mais novelesco em relação a laços de afeto, psicologia de personagens ou comentário social. A superficialidade do filme pode ser resumida nas inúmeras cenas envolvendo práticas esportivas – tênis, golfe etc. – mostradas em câmera lenta, o que não dá nem para chamar de fetichização, é apenas ruim mesmo.
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