07/07/2026
Drama

Rifle

Dione é um jovem que resiste à ideia de sair do sítio onde mora, alvo da cobiça de compradores de fora. Depois de encontrar um rifle, ele planeja enfrentar aqueles que simbolizam a destruição do seu lugar – os forasteiros sem rosto que chegam em automóveis numa estrada cada vez mais movimentada.

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O domínio da terra, a resistência, a urbanização, o processo de amadurecimento, o machismo e o assédio sexual, todos esses temas se apresentam no drama gaúcho Rifle, de Davi Pretto (Castanha).
 
O enredo focaliza a luta pela terra e da expulsão dos pequenos proprietários no cenário do interior do Rio Grande de Sul. Com um estilo poderosamente visual, lacônico e elíptico, inspirado tanto no cinema iraniano (Abbas Kiarostami é objeto de um agradecimento explícito nos créditos finais) quanto nos faroestes clássicos, tem como protagonistas não-atores, pessoas de uma mesma família escolhida in loco num processo de seleção que exigiu um corpo a corpo da produção, indo de porta em porta e superando a desconfiança inicial dos moradores.
 
O protagonista é Dione (Dione Ávila de Oliveira), que interpreta um jovem que resiste à ideia de sair do sítio onde mora, alvo da cobiça de compradores de fora. Com uma expressão sisuda, ele representa aquele tipo do anti-herói solitário dos faroestes, ainda mais depois que retoma a posse de um rifle abandonado e se empenha numa jornada pessoal de enfrentamento contra aqueles que simbolizam a destruição do seu lugar – os forasteiros sem rosto que chegam em automóveis numa estrada cada vez mais movimentada, rompendo o antigo isolamento local.
 
Um aspecto particular em Rifle é a elaboração do som (excelente trabalho de Marcos Lopes e Tiago Bello), uma refinada sobreposição de ruídos ao longo do filme que tem sua apoteose na impactante cena final.
 
Pode-se facilmente apontar o diálogo do filme com Aquarius, de Kleber Mendonça Filho – igualmente centrado numa personagem solitária que resiste à invasão do seu lugar -, ainda que os filmes estejam distanciados no tempo e no espaço e sejam de estilos bem diferentes. O que mostra que há uma consonância de pensamento entre os novos realizadores brasileiros, voltados às problemáticas mais críticas do País.
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