Mark Felt, no começo dos anos de 1970, era vice-presidente do FBI. Sigilosamente, revelou informações confidenciais a dois repórteres do jornal "Washington Post". A investigação culminou com a renúncia do presidente Richard Nixon. Por anos, a identidade do delator foi sigilosa, e ele conhecido apenas como "Garganta Profunda".
- Por Alysson Oliveira
- 12/10/2017
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Mark Felt – O homem que derrubou a Casa Branca já começa com um título um tanto equivocado, uma vez que a Casa Branca continua inteira e agora é ocupada pela família Trump. Mas esse é o menor dos problemas no filme escrito e dirigido por Peter Landesman (Um homem entre gigantes), que tenta recontar a mesma história do clássico Todos os homens do presidente, agora pelo ponto de vista do delator, aquela figura que, por anos, ficou anônima e conhecida pelo codinome "Garganta Profunda" – uma referência ao famoso filme erótico de 1972.
O delator, descobriu-se há não muito tempo atrás, era Mark Felt, vice-presidente do FBI, favorito a assumir a posição superior quando J. Edgar Hoover morreu, mas acabou preterido por um sujeito que nem da agência era. No filme, ele é interpretado por Liam Neeson, portando uma das piores perucas da história recente do cinema.
Sempre com o semblante pesado, Felt é um homem dedicado ao seu trabalho e seu país. Em casa, nunca tem tempo para a mulher (Diane Lane) e não sabe do paradeiro da filha que fugiu depois de uma discussão com a mãe. No escritório, é uma figura respeitada e severa que vazará para os repórteres Bob Woodward (Julian Morris) e Carl Bernstein (que nem aparece aqui), do jornal Washington Post, informações sigilosas que culminarão na renúncia do presidente Richard Nixon, em 1974.
Dirigido de maneira fria e burocrática, com uma trilha sonora constante e irritante, de Daniel Pemberton, Mark Felt é um filme mal resolvido que perde todas as chances de ser instigante e relevante, não sabendo explorar devidamente a fascinante contradição que Felt encerra em sua figura. A verdade sobre sua identidade só foi revelada num artigo na revista Vanity Fair em 2005.
Um filme sobre vazamento de informação a partir dos altos escalões do FBI, um presidente inescrupuloso, guerras entre facções políticas tinha tudo para ressoar com o presente, mas Landesman parece perdido com o material que tem em mãos e não sabe lidar com a complexidade dos personagens. Felt não faz muito sentido e a expressão de consternado sempre estampando o rosto não diz muito. Destino pior tem sua mulher, praticamente uma coadjuvante, que nem precisa estar em cena.
Baseado no livro de memórias de Felt, que morreu em 2008, o filme aspira a ser um thriller político, mas nunca alcança esse patamar. É covardia, mas não desnecessário, o comparar com Todos os homens do presidente, de Alan J. Pakula. O filme de Landesman sai perdendo feio – especialmente porque o diretor é incapaz de manter o ritmo ou extrair suspense da ação, o que não seria difícil dado o potencial explosivo do material. O intrincado jogo político é tratado de maneira confusa. E o papel de Felt no Watergate não foi lá muito altruísta. Mas, incapaz de trazer nada de novo ou jogar uma nova luz naquilo que se sabia, Mark Felt é um filme que parece apenas ilustrar curiosidades da vida de uma figura bem complexa.
