18/07/2026
Político Thriller

A Conspiração

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Numa época em que a vida de políticos, sob holofotes, é esmiuçada nos mínimos detalhes, Rob Lurie escreve e dirige um thriller político competente, que retrata os bastidores do poder na Casa Branca e adjacências, sem cair no maniqueísmo. O diretor desvenda os acordos e brigas dos partidos durante a nomeação de uma mulher para o cargo de vice-presidente dos Estados Unidos, a senadora Laine Hanson (Joan Allen).

O presidente Jackson Evans (Jeff Bridges), com a morte do vice-presidente, precisa indicar um substituto para ocupar o posto. Para terminar seu segundo e último mandato com tranqüilidade e de bem com o eleitorado, Evans quer um nome, que além de credibilidade, seja visto como um líder. O mais indicado, com aprovação do staff da Casa Branca e de senadores influentes, é um dos governadores americanos, Jack Hathway (William Petersen). Mas um acidente transforma essa solução num pesadelo, principalmente para o candidato. Surge assim a chance de o presidente agradar boa parte do eleitorado - as mulheres -, com a indicação da senadora. Filha de um ex-governador republicano, Laine Hanson sempre desafiou regras para defender seus princípios, chegando inclusive a se mudar para o partido democrata por não compactuar com a conduta pouco ética de seus pares na antiga agremiação.

Para assumir o cargo, a candidata deve passar por uma sabatina numa comissão de ética do congresso americano, presidida por um político conhecido pela defesa ferrenha dos ideais que norteiam a facção mais à direita do país. O senador Runyon (Gary Oldman) entra em cena não só para conduzir o interrogatório, mas principalmente, para tentar impedir que a indicada assuma o posto. Numa mescla de desafio ao presidente, um antigo desafeto, com demonstração de poder, Runyon vasculhará o passado da mulher para fazer triunfar a sua vontade.

O diretor Rod Lurie, também roteirista, desenvolveu a personagem principal pensando em Joan Allen, que merecidamente foi indicada ao Oscar de melhor atriz por este filme. Pela primeira vez como protagonista, esta americana de 45 anos mostra toda a sua maturidade na tela, construindo com perfeição a mulher moderna, que mesmo com todos os conflitos está convicta de que a única saída plausível se dará através da defesa intransigente da ética nas relações, tanto pessoais quanto sociais.

Este filme se distingue das atuais produções de Hollywood, não só por tratar de um assunto complexo, mas também por um roteiro que prioriza a interpretação. Outro grande destaque do elenco é o ator britânico Gary Oldman, impecável na pele de um político do meio-oeste americano obcecado pelo poder. Com alguns pecadilhos comuns à indústria de cinema americana, este filme é um painel bastante fiel de como as relações nas entranhas do poder se estabelecem e discute, acertadamente, como o fantasma do macartismo teima em continuar presente na política americana.

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