O drama do diretor francês Olivier Peyon expande o dilema de Sylvie (Isabelle Carré), mãe francesa que vive há quatro anos sem pôr os olhos no filho, depois que o ex-marido sumiu com ele no Uruguai, seu país natal.
Cansada de esperar pelas providências oficiais dos dois países, ela se lança a uma investigação pessoal e localiza o filho, Felipe (Dylan Cortes), hoje com 8 anos. Contando com a ajuda de um assistente social francês, Mehdi (Ramzy Bedia), ela planeja partir com o menino para casa, quer as autoridades policiais e consulares colaborem ou não.
É impossível não compreender as razões de Sylvie, visivelmente abalada por toda essa espera e seguidas decepções. Depois de seu calvário, ela é uma mulher capaz de tudo. Por enquanto, Mehdi consegue acalmá-la, dispondo-se a uma aproximação com a família paterna do menino que, depois da morte repentina do pai, está sendo cuidado pela avó, Norma (Virginia Méndez), e pela tia, Maria (Maria Dupláa).
Neste contato, Mehdi oculta sua conexão com Sylvie, iniciando um relacionamento de amizade com Felipe e também com Maria – que se transforma num interesse amoroso. Está armado um cenário para outros obstáculos no caminho do impasse da mãe aflita para recuperar o filho perdido.
A história explora habilmente a constatação, por parte de Sylvie, que não é tão simples recobrar a qualquer custo a guarda de Felipe. Ele cresceu longe dela, num país de realidade e língua diferentes e as parentes que tomam conta dele são pessoas amorosas e apegadas a ele.
Assumindo o ponto de vista de Sylvie, o diretor mostra habilidade em incorporar os outros lados da questão. Afinal, o ideal é mesmo arrancar o menino da tia e da avó, com quem ele foi feliz até agora? Parece que a situação, criada pelo erro trágico do pai do garoto, vai exigir maiores provas de amor de todos os lados, buscando uma negociação que escape de um simples acerto de contas.
