07/07/2026
Drama Comédia

De encontro com a vida

Na adolescência, Saliya Kahawatte perdeu quase toda a visão por conta de uma condição genética. Isso, no entanto, não o impediu de prosseguir com os estudos e, fingindo não ter problemas de saúde, participar de um programa de treinamento num hotel luxuoso em Munique, onde novos amigos o ajudarão a manter a farsa.

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Filmes que se vende como “baseado em fatos reais” é sempre um problema, pois o quanto do real chegou à tela? O quanto de adaptações roteiristas e diretores tiveram de fazer para tornar a história mais cinematográfica? É o caso a se pensar no simpático – mas não muito além disso – De encontro com a vida. Inspirado na trajetória de Saliya Kahawatte, o longa, dirigido por Marc Rothemund, traz a história de um homem que perde quase toda a visão, mas não desiste de seu sonho de ser hoteleiro.
 
Ainda na adolescência, Kahawatte (Kostja Ullmann) começa a ter os primeiro sinais de uma condição genética que lhe custará a vista. Enxergando pouco, sua família pensa em matriculá-lo numa escola especial, mas o rapaz prova que pode seguir no curso regular. Com a ajuda de sua memória e audição, desenvolve um método próprio para seguir com os estudos.
 
Seu sonho é ser hoteleiro e, quando manda currículos a diversos hotéis pela Alemanha, sempre acaba recusado por conta de sua visão. Até que resolve mentir e, como um ator, fingir que enxerga tudo. Sua trajetória é marcada, ao menos no filme, por seu talento para ludibriar e uma boa dose de sorte. Ele consegue estágio no estabelecimento mais prestigioso de Munique e, sem que seus chefes percebam, participa do programa de treinamento, passando por diversas etapas – desde arrumação de quartos até cozinha e bar.
 
Muito do filme funciona graças à interpretação inspirada de Ullmann. Mas não é difícil torcer por Kahawatte, sujeito esforçado e talentoso, que conta com a ajuda de Max (Jacob Matschenz), um rapaz que conhece no dia da seleção para o estágio e logo descobre seu segredo, mas não conta para ninguém. Há também uma subtrama romântica, envolvendo uma entregadora (Anna Maria Mühe), por quem o protagonista se apaixona, mas toda a história parece mais um recurso narrativo, para um momento climático, do que um interesse romântico real.
 
Uma entrevista do verdadeiro Kahawatte à revista espanhola ¡Hola!, publicada em meados do ano passado, revela que sua trajetória foi bem menos alegre e sortuda do que no filme, especialmente o que se sucedeu depois do final feliz do longa. De qualquer forma, apesar das boas intenções, o diretor não consegue ir além dos esquematismos de filme-de-superação, resultando num longa simpático, mas nada além disso.
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