Hedi (Majd Mastoura) é representante comercial da Peugeot francesa e, para desempenhar seu trabalho, visita clientes em cidades do interior do país, mas não apresenta bons resultados para a empresa. Há uma apatia e um desconforto em Heidi, visíveis pela expressão de seu rosto e nas poucas palavras que balbucia, que só serão compreendidos quase ao final do filme, quando forem conhecidos detalhes de seu relacionamento com a mãe e o irmão mais velho, que vive na França.
Hedi está de casamento marcado com Khedija (Omnia Ben Ghali). É um casamento arranjado, que trará bons resultados para sua família. Sua mãe, Baya (Sabah Bouzouita), onipresente na vida do filho, cuida de todos os detalhes. Faltam poucos dias para a festa, mas o rapaz não parece nem um pouco envolvido. Ao contrário, está distante e quer permanecer longe, dirigindo várias horas de sua casa até a cidade vizinha, sede da empresa onde trabalha.
No hotel em que se hospeda, durante uma de suas viagens de negócios, conhece Rym (Rym Ben Messaoud), uma mulher independente, fruto da nova sociedade que floresce na Tunísia, onde as mulheres vão à praia de maiô, vestem-se com roupas ocidentais, frequentam festas e não precisam da permissão de ninguém para decidir seus destinos.
Outro Hedi entra em cena, fazendo esquecer o homem tímido, fechado, que parece carregar o peso do mundo. Rym é a primavera em sua vida. O relacionamento entre os dois prossegue como se não houvesse o amanhã, que para Hedi está a uma distância de apenas dois dias, quando será celebrado seu casamento. Hedi pode tomar finalmente as rédeas de seu destino, mas não é uma decisão tão fácil de ser tomada. A alguns quilômetros dali o espera a Tunísia antiga, das tradições que precisam ser respeitadas e para as quais ele oscila entre a revolta e o conformismo.
