26/08/2026
Drama

Bully

post-ex_7
Mais uma vez, o fotógrafo e diretor Larry Clark visita o território dos adolescentes problemáticos, como fez em seu primeiro filme Kids (1995) e no mais recente Ken Park (2002), ainda inédito no Brasil. Em Bully, é clara a obsessão por exibir os corpos dos atores, sempre de cuecas ou, no caso das garotas, nuas, principalmente da jovem Bijou Phillips. Muitas são desnecessárias e o artifício é usado apenas para chocar.

A perversão é outra recorrência de Clark. Todos os personagens são completamente desequilibrados, só pensam em sexo e drogas, ao ponto de não transmitir credibilidade. Apesar de a história ser interessante, inspirada num fato real e relatada no livro Bully: A True Story of High School Revenge, de Jim Schutze, o roteiro é fraco e com pouca densidade humana.

Marty (Brad Renfro) é um jovem surfista que abandonou o colégio, enquanto seu melhor amigo Bobby (Nick Stahl) caminha em direção a boa faculdade e a um futuro promissor. A estranha relação entre eles é marcada por sadomasoquismo e um toque de homossexualismo, pois Marty se sujeita, desde criança, a todo tipo de perversidade saída da cabeça de Bobby. Mas o passivo garoto está prestes a se libertar desse tormento, com a ajuda de sua namorada, Lisa (Rachel Miner), uma espécia de Lady Macbeth que arquiteta com os amigos um meticuloso plano para matar Bobby.

O filme tenta provar que, se os jovens fazem parte dessa geração drogada e descerebrada, a culpa é unicamente dos pais. Mas tamanha perversão não pode ser explicada apenas dessa forma simplista. Ao que parece, a função do filme é chocar por chocar, sem extrair dessa perplexidade algo que a explique ou que, ao menos, lhe dê sentido. Clark envelheceu, mas continua com o mesmo discurso que o tornou famoso há 30 anos, quando lançou o livro de fotografias Tulsa, repleto de jovens nus e injetando drogas.

Cineweb-4/4/2003

post