02/07/2026
Romance Fantasia

Todo dia

Rhiannon é uma adolescente que leva uma vida comum e um tanto negligenciada por seu namorado. Até o dia em que ela se apaixona por A, um ser que a cada dia habita um novo corpo e se encontra com ela para viverem um romance peculiar.

post-ex_7
Baseado no romance para jovens adultos, o filme de David Levithan parte de uma ótima ideia: A. é um ser que a cada dia habita um novo corpo. Sempre mais ou menos da mesma idade (quase final da adolescência), sempre não muito longe um do outro. Se A é uma alma penada, um alienígena ou uma força cósmica, nunca se sabe. Também não se sabe se tem um gênero – os corpos que ocupa podem ser tanto de garotas quanto garotos. Um dia, está em Justin (Justice Smith), que, para surpresa de sua namorada, Rhiannon (Angourie Rice), é gentil e delicado com ela, ao contrário de como é de costume, e os dois têm momentos inesquecíveis.
 
No dia seguinte, Justin volta ao normal, arrogante e grosseiro. Mas surge uma nova garota na escola (Jeni Ross), que pede para acompanhar Rhiannon o dia inteiro. Até o final da semana, a protagonista terá cruzado com meia dúzia de pessoas que a fazem sentir especial como nunca, o centro de todas as atenções. Depois de muito negar, ela aceita a estranha situação e marca encontros diários com A., independente da pessoa em quem ele está se hospedando.
 
Como um filme para o público juvenil, Todo dia fala de temas caros à faixa etária, como a construção da identidade, a superação de preconceitos, a depressão e a busca pela beleza interior (em oposição à beleza física), que é algo explorado de maneira pouco sutil aqui. O problema é que o diretor Michael Sucsy (Para sempre) e o roteirista Jesse Andrews não conseguem fugir do esquematismo. Um encontro sucede ao outro, A e Rhiannon passam momentos juntos, no dia seguinte ele muda de corpo e tudo se repete, com uma ou outra variação.
 
O romance original é contado por A., ou seja, tudo a partir do seu ponto de vista, o que rompe as barreiras sociais que são impostas a adolescentes – como categorização, por exemplo. O filme muda isso e é narrado pelos olhos de Rhiannon, uma personagem pouco simpática que, obviamente, irá se transformar até o fim por conta desse relacionamento – o que torna o filme bem previsível. É com ajuda de A. que ela fará as pazes com a mãe (Maria Bello) ligeiramente negligente, o pai depressivo e santificado (Michael Cram) e também deverá superar o relacionamento tóxico com Justin.
 
Convenientemente, Todo dia evita as implicações morais e éticas do fato de A. usar corpos de desconhecidos para manter uma relação (incluindo beijos e sexo) com Rhiannon. É um filme para adolescentes, parece dizer o diretor, e uma questão mais complexa como essa não sustentaria o romance juvenil, que se leva a sério demais – para um filme que se apoia tanto na fantasia, uma certa leveza e sutileza no trato com os temas ajudaria.
post