14/06/2026

Eli é um adolescente que encontra uma arma misteriosa perdida num galpão abandonado. Fugindo de um gângster com seu irmão mais velho, que acabou de sair da prisão, o artefato será bastante útil.

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Ainda é cedo para dizer que algo foi sedimentado, mas o modelo e a estrutura de produção e narração de seriados, tão em voga atualmente na televisão e streaming, pode estar começando a contaminar de maneira mais incisiva o cinema. Kin, combinação de ficção científica com drama, é um exemplo claro disso. Dirigido pelos irmãos Jonathan e Josh Baker, e criado a partir de um curta deles, o filme claramente aspira a ser o primeiro de uma franquia. Mas o público vai comprar essa extravagância cinematográfica para justificar a existência de continuações?
 
O protagonista é Myles Truitt, que interpreta o pequeno Eli Solinski, garoto afro-americano adotado por um casal branco. Sua mãe já morreu e ele vive com o pai (Dennis Quaid, quase irreconhecível aqui), até que seu irmão mais velho, filho legítimo do casal, Jimmy (Jack Reynor), sai da prisão. A reunião familiar dura pouco, pois o rapaz tem diversos atritos com o pai e precisa de dinheiro para pagar dívidas.
 
Junto com o gângster (James Franco) a quem deve, resolve roubar o escritório do pai, o quer termina provocando mortes. Jimmy foge com o Eli, sem contar o que aconteceu. Ele diz para o menino que farão uma viagem e todos se encontrarão depois. E caem na estrada.
 
Essa é a parte de drama do filme, que combina a ficção científica com uma arma misteriosa e gigante que Eli encontrou jogada num galpão abandonado. O artefato se mostrará mais potente do que eles imaginam, causando muito estrago quando dispara, mas só funciona nas mãos do garoto. Enquanto fogem dos gângsteres, junta-se a ele uma stripper, Milly (Zoë Kravitz).
 
Não é que os irmãos Baker não tenham muitas ideias, trabalhando a partir de um roteiro de Daniel Casey – ele têm ideias até demais, mas não sabem o que fazer com elas. O resultado é um filme mal resolvido, tanto no drama (surrado), quanto na ficção científica (sem sentido). A forma como o filme lida com a política racial é bem complicada. Há algo moralmente equivocado em um filme no qual um garoto negro é empoderado, para se usar uma palavra da moda, apenas quando empunha uma arma gigantesca que destrói tudo.  
 
Fora isso, a estrutura da narrativa aqui é bem desequilibrada. Gastando uma parte enorme com a viagem de Eli, Jimmy e da stripper na estrada, até que algo realmente importante aconteça. Os personagens não têm muita profundidade, e suas motivações parecem limitadas às demandas da cena do momento. Isso piora com seu final abertamente frustrante, que chama desesperadamente por uma continuação. Seria divertido, de qualquer forma, que o filme fizesse certo sucesso e ganhasse sua aspirada sequência, apenas para sabermos aonde isso tudo vai chegar. Mas, pensando bem, o lugar para onde os irmãos Baker miram pode ser tão sem graça que é melhor deixar tudo como está mesmo, e esquecermos que Kin um dia existiu. 
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