O que de verdade importa é um filme repleto de boas intenções – tanto que a totalidade de sua bilheteria líquida será doada a sete instituições que apoiam e cuidam de crianças brasileiras com câncer. Mas o que há de positivo nele não vai muito além disso. Escrito e dirigido pelo espanhol Paco Arango, o longa se passa numa pequena cidade do Canadá, para onde Alec (Oliver Jackson-Cohen) é mandado pelo tio (Jonathan Pryce).
Na Inglaterra, onde mora, o rapaz tem uma empresa de consertos de equipamentos elétricos e se auto-intitula "O Curador". Ao chegar à nova casa, publica um anúncio no jornal divulgando o seu trabalho mas, por conta de um erro, os moradores acreditam que ele seja um “curador” de pessoas e o procuram para pedir ajuda. Fantasticamente, depois de explicar que não tem esses poderes, descobre que, sim, tem poderes de cura.
A trama segue a ideia do herói que precisa aceitar o seu destino, no caso, de ser um “curador”, mas ele parece não querer. Depois de muito renegar o seu dom, Alec conhece uma jovem (Kaitlyn Bernard) com câncer terminal (um golpe bem baixo do filme), o que poderá fazer o rapaz mudar de ideia em relação aos seus poderes.
O que de verdade importa simplifica todas as questões que pretende levantar, especialmente a oposição entre fé e ciência. Seu discurso religioso é bastante raso e sua apologia ao curandeirismo, discutível, assim como o diálogo entre o realismo e a fantasia. Os personagens não têm muito a oferecer além dos clichês que carregam consigo. Dessa forma, como ONG, o filme funciona bem, mas, como cinema, infelizmente, não é nada bom.
