Clotilde Hesme é uma grande atriz capaz de transitar entre o drama (Amantes constantes, o primeiro filme em que chamou a atenção) e a comédia, como em O poder de Diane, que marca a estreia na direção de Fabien Gorgeart, também responsável pelo roteiro. Sua sensibilidade para a percepção das emoções de seus personagens faz dele um cineasta a se prestar atenção.
Diane (Hesme) está grávida, mas o bebê não é exatamente dela. Ela serve de barriga de aluguel para um casal gay, formado por Thomas (Thomas Suire), seu melhor amigo, e o companheiro dele, Jacques (Gregory Montel). Sem um emprego fixo, a protagonista transforma em um projeto reformar a casa de campo que herdou. Nesse processo, e enquanto espera o dia do parto, conhece o eletricista Fabrizio (Fabrizio Rongione). Os dois logo se conectam e surge um romance, apesar da barriga crescente que transforma toda a situação em algo um tanto desconfortável.
Thomas é ansioso demais, não consegue deixar Diane em paz e começa a se intrometer na vida dela. É reveladora e divertida uma cena em que ele pergunta a uma médica se existe problema em Diane manter relações sexuais, pois ele teme que isso possa afetar o bebê – tudo isso, na frente da própria Diane.
O filme começa como uma comédia leve, mas o tom muda conforme a gravidez avança. Diane percebe, com o tempo, o que existe de sério em seu ato de solidariedade e as implicações de carregar um bebê que não será seu filho.
A transformação da personagem e do filme depende em boa parte da intepretação de Hesme, e não poderia haver uma escolha mais acertada do que ela, que transita entre o pastelão e um drama sóbrio de uma cena para a outra. Diane é uma personagem incapaz de tomar as rédeas de sua própria vida, tudo parece fugir de seu controle. Ter um filho pode ser a chance de se encontrar como ser humano e ser mais feliz. A interpretação da atriz para essa personagem é capaz de fazê-la ainda mais terna e comovente.
