Drama sobre autismo, Po, de John Asher, retrata uma especial relação entre pai e filho. O pai é o engenheiro David Wilson (Christopher Gorham), que acaba de ficar viúvo e único responsável pelo filho de 11 anos, Patrick (Julian Fader), que sofre da síndrome.
O roteiro de Colin Goldman enfatiza os dilemas deste pai, sobrecarregado tanto por um aflitivo dead line no trabalho – deve entregar o projeto de um novo avião – e pelos múltiplos incidentes do cotidiano do filho. Mesmo sem ter assistido ao enterro da mãe (o pai não quis), o menino evidentemente se ressente da ausência materna. Além do mais, está sofrendo bullying na escola e não sabe reagir a isso, nem falar sobre o assunto.
Por conta disso, Po, como ele gosta de ser chamado, começa mais e mais a desconectar-se da realidade, mergulhando em fantasias em que conversa com um personagem que ora é um pirata, ora um cowboy, um cavaleiro ou astronauta (Andrew Bowen). Todos os esforços de suas múltiplas terapias, como com a dedicada Amy (Kaitlin Doubleday), parecem estar fracassando.
Este é o tipo de filme que, de cara, se imagina assistir numa Sessão da Tarde, ou seja, pela estruturação em clichês simples e emotivos, mostrando-se eventualmente redundante e pouco ambicioso em termos cinematográficos. Mesmo assim, indispensável ressaltar o empenho do protagonista Christopher Gorham, que compõe um pai amoroso com o qual é impossível não simpatizar. É o caso de pensar em como o ator merecia um filme com mais camadas, mais complexo e com menos soluções apressadas para a gama de desafios que convoca.
Na trilha sonora, a presença do veterano e premiado compositor Burt Bacharach, 90 anos, é ponto de destaque. Ele foi procurado pela produção apenas para cessão da música (They long to be) Close to You, que foi sucesso com a dupla The Carpenters, mas se apaixonou tanto pela história que decidiu compor canções originais. Close to You também aparece nos créditos iniciais, interpretada por Bethany Joy Lenz.
