06/07/2026
Drama Comédia

Um banho de vida

Bertrand está na faixa dos 40 anos, sem emprego e deprimido. Mas sua vida muda quando conhece um grupo de homens da mesma idade e também um tanto problemáticos que montaram um time de nado sincronizado para tentar superar suas frustrações. Mesmo sem jeito para o esporte, eles se inscrevem num campeonato mundial.

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Um banho de vida é uma comédia francesa que segue a cartilha de comédias genéricas sobre homens brancos em crise de meia-idade. O que torna as mais de duas horas do filme dirigido por Gilles Lellouche toleráveis é a presença de um elenco que inclui Mathieu Amalric, Guillaume Canet, Benoît Poelvoorde, Jean-Hugues Anglade e Virginie Efira, possivelmente todos amigos e amigas do diretor que aceitaram participar mais pela amizade do que o filme em si.
 
O roteiro assinado por Ahmed Hamidi, Julien Lambroschini e Lellouche lembra o inglês Ou tudo ou nada, sobre um bando de operários ingleses desempregados e fora de forma que faziam um show de strip-tease. Aqui, o que muda a vida do bando de infelizes é o nado sincronizado. Com pouca ou nenhuma experiência prévia, um grupo de homens que passaram dos 40 anos começa a praticar o balé aquático sob o comando de Delphine (Efira), outrora uma campeã, agora uma treinadora mal-humorada.
 
Se existe um protagonista no filme é o personagem de Amalric, Bertrand, um desempregado depressivo que vê um anúncio na piscina do bairro recrutando homens para uma equipe de nado sincronizado. Não fica claro porque apenas homens nessa faixa etária, fora de forma e com problemas emocionais e financeiros são os únicos que respondem ao anúncio. Mas, enfim, eles encontram um grupo para chamar de seu, que inclui um aspirante a roqueiro (Anglade), um divorciado briguento (Canet), um vendedor de piscinas (Poelvoorde), e um sujeito meio tolo, mas de bom coração, interpretado por Philippe Katerine, que ganhou o Cesar de coadjuvante por esse trabalho.
 
Apesar da competência do elenco, os personagens são, em geral, rasos e calcados em clichês. Todos eles encontrarão no nado uma espécie de nova razão de viver. O roqueiro, por exemplo, tenta reconquistar o amor da filha adolescente, que o acha um antiquado, mas passará a simpatizar com ele quando descobrir suas aspirações e o novo esporte. Já um outro personagem, um imigrante negro (Balasingham Thamilchelvan), existe apenas para que sua incapacidade de falar francês seja motivo de algumas piadas (sem graça, diga-se).
 
A rigor, o humor dessa comédia não funciona bem na maior parte do tempo, mas também se encontra bons momentos em seu clímax, quando o grupo participa de um campeonato mundial. Não é nenhuma surpresa o que vai acontecer, e como isso tudo acabará, mas a apresentação ao som de “Easy lover”, de Phil Collins, é o melhor do longa - há nessa cena toda a vibração o que não existe no restante do filme. 
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