Dvortsevoy condensa em 1h40, sem sobras, o dilema dessa jovem imigrante quirguiz em Moscou, que acaba de dar à luz, como se vê na primeira sequência. Ela, no entanto, não tem a menor condição de acolher seu bebê. Saiu de seu povoado depois de endividar-se com a máfia local para abrir um pequeno ateliê de costura. Agora, sua autorização de trabalho venceu e ela não consegue juntar o dinheiro para resgatar a dívida. Sua irmã, que ficou para trás, está em perigo mortal, traduzido em ameaçadoras chamadas no celular.
Sem dúvida, trata-se de uma obra dolorosa, exasperante, em que os espectadores são levados a compartilhar intimamente o calvário da protagonista, Ayka toma o pulso de um mundo disfuncional.sem deixar de ser extremamente envolvente. Sua intensidade busca provocar empatia pela tragédia humana das pessoas miúdas, vulneráveis, colocadas no limite de suas forças. Ayka é um símbolo de tantas outras figuras desprotegidas, num mundo hostil a partir do clima, da geografia, da invisibilidade a que são relegadas por um modelo de sociedade que simplesmente não funciona.
